“Promiscuidade no mais alto grau”, diz Zema sobre caso Master
Para o governador, o Brasil precisa "é de gente que vá para o setor público para servir, e não para tirar proveito pessoal”
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou como “promiscuidade” as supostas relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, alvo de investigação por um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito podres, estimado em R$ 12 bilhões.
Sem citar nomes, Zema afirmou que integrantes do “alto escalão do governo federal, do Judiciário e do Legislativo” estariam atuando para facilitar contatos em benefício de interesses privados.
“Colocar o cônjuge para prestar serviço, ganhar milhões por mês, e depois tentar beneficiar aquela instituição. Isso, para mim, é promiscuidade no mais alto grau. É um escândalo que precisa ser apurado”, disse se referindo a Moraes durante participação nesta terça-feira, 13, no Café com Política, do portal O Tempo.
Segundo Zema, o que o Brasil precisa “é de gente que vá para o setor público para servir, e não para tirar proveito pessoal”.
A esposa de Moraes
O jornal O Globo publicou em 11 de dezembro do ano passado detalhes do contrato do escritório Barci de Moraes, no qual trabalha Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master.
Por mês, o escritório da esposa de Moraes recebia 3,6 milhões de reais do banco de Daniel Vorcaro.
Segundo o documento, ao qual o jornal teve acesso, o escritório da família de Moraes foi contratado para atuar na defesa dos interesses da instituição financeira junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
O escritório Barci de Moraes firmou um contrato de 129 milhões de reais por três anos, contados a partir de 2024, com o Banco Master.
Segundo o jornal, os valores do contrato constam em bens apreendidos na operação Compliance Zero, na qual foi preso o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Embora o documento não tenha sido apreendido, mas os valores estavam em formato digital no celular de Vorcaro.
Parentes de Toffoli
Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à rede de fundos usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades. A informação consta de documentos e bases oficiais analisados pela Folha.
De acordo com a reportagem, publicada no domingo, 11, o Arleen Fundo de Investimentos manteve participações na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que teve integrantes da família de Toffoli como sócios, e na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade que tinha como sócio um primo do ministro.
Como revelou O Antagonista, em setembro de 2021, José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, eram sócios do Tayayá Aqua Resort.
A ligação do Arleen Fundo de Investimentos com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que também recebeu recursos de fundos ligados ao Maia 95, apontado pelo Banco Central como parte da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O Arleen não é alvo direto da investigação.
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