Projeto Anti-Oruam avança na Câmara
A proposta teve como motivação os shows do rapper Oruam, filho de Marcinho VP, chefe da facção Comando Vermelho
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), autorizou nesta segunda-feira, 24, o início da tramitação do projeto de lei apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) e outros 45 parlamentares que proíbe a apologia ao crime organizado por artista em eventos contratados com dinheiro público
A proposta foi apelidada de ‘Projeto de Lei Anti-Oruam’.
Agora, o texto precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa e comissões temáticas como a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; a de Cultura e Finanças e Tributação.
A proposta teve como motivação os shows do rapper Oruam, filho de Marcinho VP, chefe da facção Comando Vermelho, que segundo o parlamentar, tem mensagens ocultas em exaltaçao ao crime organizado em suas letras.
O projeto determina que qualquer apresentação que descumpra esta norma estará sujeita à rescisão imediata do contrato, bem como à imposição de penalidades contratuais, incluindo multas, que poderão ser destinadas a programas de educação para crianças e adolescentes.
Segundo Kataguiri, “é dever do poder público assegurar que crianças e adolescentes sejam protegidos de conteúdos que promovam práticas criminosas ou que possam influenciá-los negativamente. Precisamos garantir que os eventos financiados com dinheiro público respeitem os princípios de proteção à infância e adolescência, incentivando um ambiente cultural responsável”.
Herdeiro do CV?
No festival Lollapalooza, Oruam pediu a liberdade de Marcinho VP, vestido com uma camisa estampada com o rosto do pai. Em entrevista a uma emissora de TV, o filho do chefe máximo de uma das maiores facções do país admitiu que, se não fosse artista, seria “herdeiro”.
“A cadeia deveria servir para ressocializar e não para torturar. Meu pai errou, mas está pagando pelos seus erros e com sobra. Só queria que pudesse cumprir uma pena digna e saísse de cabeça erguida. Que quando chegue sua hora, você possa ter sua liberdade! E que o estado realmente deixe você vir como é de direito. Afinal, todos sabem que você já pagou sua pena”, disse Oruam. “Não tentem tirar de uma pessoa o direito de reivindicar condições melhores pro seu pai, e nem de querer vê-lo em liberdade. Te amo, pai”, escreveu o cantor nas redes sociais após o show em que homenageou Marcinho VP.
Oruam x Amanda Vettorazzo
Como mostramos, a vereadora Amanda Vettorazzo, do União Brasil e integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), foi obrigada a registrar um boletim de ocorrência contra o rapper. O episódio ocorreu após uma intensa troca de acusações públicas nas redes sociais.
O conflito teve início quando Amanda apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal que proíbe a contratação, por órgãos públicos, de artistas que promovam apologia ao crime organizado. Essa foi a primeira proposta do gênero.
Em resposta, o rapper usou suas redes sociais para criticar a parlamentar, chamando a vereadora paulistana de “doente mental” e “idiota”. Além disso, ele teria, segundo a denúncia, incentivado seus seguidores a tentar derrubar o perfil da vereadora.
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Comentários (3)
Denise Pereira da Silva
25.02.2025 20:35A normalização das ações do crime organizado em nosso país já devia ser pauta importante há muito tempo. Até que enfim surgiram políticos com coragem para começar a encarar este desafio. Parabéns MBL, Vereadora Amanda Vettorazzo e Deputado Federal Kim Kataguiri. Parabéns aos demais políticos em diversos estados do Brasil que endossaram esta luta. Avante Missão! 🐅
Vitor Carlos Marcati
25.02.2025 09:03O Brasil vive uma crise de valores morais a meu ver irrecuperável, um cara que se diz “cantor” que tem uma tatuagem em “homenagem “ a um fascinora que queimou um repórter vivo após tortura lo e ainda ter uma legião de fãs e apoiadores, inclusive no meio artístico e na grande imprensa é um exemplo cabal do colapso moral em que vivemos
Fabio B
25.02.2025 07:56Excelente toda essa discussão que o MBL levantou a nível nacional sobre a necessidade de evitar financiamento a apologistas de narco facções pelo Estado. Mas acho que deveria ser mais severo, deveria ser proibido qualquer tipo de manifestação pública favorável a essas facções, que escravizam e matam tantos brasileiros, e que cada vez mais ocupam um pedaço maior do nosso território. Todos esses faccionados e apoiadores deveriam ser tratados como inimigos de Estado, e deveriam recebem o mesmo tratamento que se dá numa guerra quando um Estado estrangeiro invade e tenta dominar nosso território.