Professora da Unicamp é presa por furto de material biológico
Docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos foi detida em flagrante pela Polícia Federal, e responde por três crimes
Uma professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) foi presa em flagrante pela Polícia Federal na segunda-feira, 23, acusada de subtrair material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da universidade. Na tarde desta terça-feira, 24, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à docente.
A detida é Soledad Palameta Miller, argentina, professora doutora na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). O inquérito policial foi aberto após a própria Unicamp comunicar às autoridades o desaparecimento do material do laboratório.
Três crimes investigados
A Polícia Federal informou que foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão expedidos pela 9.ª Vara Federal de Campinas. O material retirado do laboratório foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise técnica, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a PF, os investigados deverão responder “pelos seguintes crimes: furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado”. A instituição acrescentou que as investigações seguem para esclarecer as circunstâncias do caso.
Perfil acadêmico e silêncio da defesa
Soledad atua no Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da Unicamp. É biotecnologista formada pela Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e doutora em Ciências na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde pela própria Unicamp.
Também desenvolveu projetos no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), nas áreas de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais aplicados ao tratamento do câncer.
A defesa da professora, consultada pelo jornal O Estado de S. Paulo, optou por não comentar os fatos. Em nota, os advogados justificaram a posição pelo sigilo decretado pelo juízo: “Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal”.
Unicamp diz colaborar com a PF
A Reitoria da Unicamp divulgou nota em seu site afirmando que a universidade colabora com as investigações federais. “A universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações”, diz o comunicado.
A instituição não divulgou informações adicionais sobre o material biológico subtraído nem sobre eventuais consequências administrativas para a docente.
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