Professor que sugeriu “guilhotina” contra Justus defende censura contra “barbárie”
Artigo pró-decisão do STF saiu nesta segunda, 7, em jornal, três dias após ataque no X cometido pelo próprio autor
Mais uma vez, o roteirista de Brasil caprichou.
Um artigo do professor titular aposentado da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ) Marcos Dantas Loureiro (foto) — provavelmente escrito e enviado antes da sexta-feira, 4, em que ele, na rede social X, sugeriu “guilhotina” contra a família do empresário Roberto Justus — foi publicado nesta segunda-feira, 7, pelo jornal O Globo, com o seguinte título: “A palavra não é livre para promover a barbárie”.
No texto, Marcos Dantas, que foi secretário de dois ministérios no primeiro mandato de Lula, defende a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de responsabilizar as plataformas pela não remoção de conteúdos de usuários em uma série de casos definidos não pelo Congresso Nacional, mas por oito ministros da Corte.
Além de dar lições de moral sobre “se comportar com um mínimo de ética e educação” nas redes sociais, o professor defende que a fiscalização seja feita por um agência reguladora submetida a um conselho no modelo do Comitê Gestor da Internet, que ele próprio integrou como representante do setor acadêmico por três mandatos (2014-2023). O CGI.br é uma organização de natureza pública não-estatal, que, conforme decreto presidencial, deve estabelecer diretrizes estratégicas para uso e desenvolvimento da internet no Brasil.
Principais trechos
O Antagonista destaca os principais trechos do artigo, em contradição ao ataque de Dantas a Justus, sua esposa, a modelo e advogada Ana Paula Siebert, e a filha do casal, Vicky:
“(…) Uma sociedade sem ‘censura’, uma sociedade em que ‘tudo pode’, mergulha na barbárie. É o faroeste onde o único limite será a lei do mais forte.
(…) A internet permitiu que o poder de falar dirigindo-se a ‘todo mundo’ fosse dado a qualquer um. Seria um projeto radicalmente democrático. Esqueceram-se de dizer: em troca, você precisa se comportar com um mínimo de ética e educação, como se estivesse num estúdio de TV se comunicando com milhões — não numa mesa de botequim conversando entre amigos.
(…) O poder público terá de ser exercido por uma agência reguladora, mas essa agência, devido à delicadeza óbvia do tema, deverá estar submetida a um conselho formulador de diretrizes, com participação de representantes da sociedade. O Comitê Gestor da Internet pode servir de modelo.
(…) a palavra é livre desde que em termos que sirvam para aprofundar a democracia e garantir a convivência e os acordos civilizatórios de nossa sociedade. A palavra não é livre para promover a ignorância e a barbárie.”
Reação da família Justus
A família Justus, entendendo que Marcos Dantas promoveu a ignorância e a barbárie, anunciou nas redes que pretende processar o professor e outros ativistas.
“Falaram, como todos viram, e mandaram muitos prints para a gente, que ‘só guilhotina’ resolve. A pessoa falou, a pessoa escreveu isso… O maior projeto social desse país é o emprego. Quem dá emprego é o empresário, que está virando vilão nesse país… Essa luta de classes em que o Brasil está se transformando… Toda a sociedade tem a classe alta, a classe média, classe baixa, todo mundo torce demais, né? E nós, empresários, fazemos o possível para gerar oportunidades para que esse desequilíbrio social se resolva…
Dessa vez nós vamos atrás dos nossos direitos, até para dar um exemplo. Então, eu já acionei todo o corpo jurídico. Não vou aceitar ameaça à minha família… Eu tenho muita pena dessa gente, de ter uma amargor deste tamanho no coração, de ter uma maldade tão grande, de ser tão infeliz a ponto de querer o mal das outras pessoas por um motivo fútil e ridículo como esse. Nós vamos tomar as providências e gostaríamos, e viemos aqui, hoje, porque todo mundo está nos procurando e a gente fez questão de esclarecer para todos vocês que recebemos do Brasil inteiro prints e tudo que vocês imaginam, muita solidariedade. No início a gente pensou ‘será que a gente se expõe?’, mas tomou uma proporção tão grande que eu acho que é necessário”, disse Roberto Justus em vídeo publicado no domingo, 6.
Os ataques começaram após um perfil que se diz “parada obrigatória para as últimas notícias” sobre “celebridades” ter publicado duas fotos da família do empresário: “RICA! Totalmente fora da minha realidade, Vicky, filha de 5 anos de Roberto Justus e Ana Paula, usa bolsa de R$ 14 MIL para combinar look com seus pais.”
Comentários
Um usuário então comentou que “os bolcheviques estavam certos”, referindo-se à facção do Partido Operário Social-Democrata Russo que, liderada por Lenin, defendia uma revolução socialista armada e a ditadura do proletariado. Eles chegaram ao poder com a Revolução de Outubro de 1917 e deram início à repressão em massa conhecida como Terror Vermelho, com prisões e execuções por motivos políticos.
“Só guilhotina…”, acrescentou, então, Marcos Dantas Loureiro.
A UFRJ divulgou uma nota nesta segunda, 7, destacando que o professor é docente aposentado pela universidade desde o ano de 2022 e que “as postagens publicadas pelo mesmo em suas redes sociais digitais expressam suas opiniões pessoais”. A UFRJ e a ECO, segundo o comunicado, “repudiam qualquer tipo de expressão de pensamento que incite à violência ou agrida a terceiros”.
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Comentários (2)
Denise Pereira da Silva
07.07.2025 16:36Será que esse professor conhece a história de Maximilien de Robespierre?
Fabio B
07.07.2025 16:22Ele se acha no direito de falar em tom de protesto abertamente e pedir guilhotina a uma criança devido ao seu status social. E tenho certeza que foi favorável à condenação do Leo Lins, que contou uma piada, num palco a um público que foi ao seu espetáculo ouvir o tipo de piada que ele conta.