Privatizações perdem espaço na gestão Zema
Renegociação da dívida dos Estados mudou a prioridade do governo mineiro, que considera a federalização de três grandes empresas estatais: a Cemig, Copasa, e a Codemig
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), parece repensar uma de suas bandeiras mais emblemáticas: as privatizações. A aprovação da proposta de renegociação da dívida dos estados de autoria de Rodrigo Pacheco (PSD), presidente do Senado e adversário político de Zema, trouxe uma reviravolta ao debate.
O projeto, que estabelece novas condições para renegociações de dívidas estaduais, inclui a possibilidade de reduzir encargos mediante transferência de ativos. Isso levou Zema a considerar a federalização de três grandes empresas estatais mineiras: a Cemig (energia), a Copasa (saneamento) e a Codemig (desenvolvimento econômico), em troca de um abatimento de 42% na dívida estadual.
“Nossa proposta é que a União aceite esses ativos e compensemos parte da dívida com base em seus valores de mercado. No caso da Cemig e da Copasa, a precificação é mais objetiva, já que são empresas listadas na bolsa de valores. Também pretendemos incluir a Codemig nesse acordo”, afirmou o governador após acompanhar a tramitação do projeto em Brasília.
Entraves políticos
A postura contrasta com ações recentes de Zema, que, até poucas semanas atrás, mantinha as privatizações como prioridade de seu governo. No último mês de novembro, ele enviou à Assembleia Legislativa projetos que visavam desestatizar a Cemig e a Copasa, destacando essas medidas como prioridades para 2025. Seu secretário de Governo, Gustavo Valadares, também vinha conduzindo articulações com deputados estaduais para garantir avanços nessa agenda.
CCJ da Assembleia mineira
A proposta de federalização surge em meio a um cenário de entraves políticos. Desde o ano passado, o governo estadual tenta derrubar a obrigatoriedade de realização de referendos populares para aprovar privatizações, mas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que eliminaria essa exigência permanece estagnada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia.
Essa mudança de estratégia marca um ponto de inflexão na política econômica do governador, que agora busca conciliar sua agenda liberal com as novas possibilidades oferecidas pelo projeto de Pacheco.
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