Presidente do Idafro insiste em perseguição a Claudia Leitte
"Ela, Cláudia Leitte, confessou ter mudado (a letra da música) por conta da nova religião dela. Com isso, ela ofende a comunidade afroreligiosa”, declarou advogado Hédio Silva Jr
A recente controvérsia envolvendo a cantora Claudia Leitte, que alterou a letra da música “Caranguejo” ao substituir o nome de Iemanjá por Yeshua, gerou uma resposta polêmica do Ministério Público da Bahia.
Essa mudança foi interpretada como um desrespeito à identidade afro-religiosa, levando o Idafro a denunciar a artista.
O advogado Hédio Silva Jr., presidente do Instituto de Defesa das Religiões Afro-brasileiras (Idafro), que já ocupou o cargo de secretário de Justiça em São Paulo, ressaltou em entrevista à VEJA que essa ação representa uma forma de “apagamento” da cultura afro-brasileira.
Segundo ele, a suposta ofensa não estaria apenas na substituição do nome, mas na supressão de uma figura central da tradição afro-religiosa:
“Houve uma supressão do Orixá e, eventualmente, a descaracterização do patrimônio cultural. Essa supressão representa um incentivo ao preconceito religioso e à discriminação racial. E ela, Cláudia Cláudia Leitte, confessou ter mudado por conta da nova religião dela. Com isso, ela ofende a comunidade afroreligiosa”, declarou à revista o advogado.
Ação coletiva criminal
Sobre a representação enviada ao Ministério Público, Hédio informou que os compositores da música serão ouvidos em breve. Ele acredita que as evidências coletadas podem levar a uma ação coletiva ou criminal.
O ECAD, responsável pelo registro musical, confirmou que não houve alteração formal na canção, indicando que a mudança foi improvisada, ou seja, deu-se apenas na voz da cantora.
Uma campanha em defesa do respeito às religiões deve ser parte das obrigações solicitadas pela ação à cantora, assim como o pagamento de uma indenização de R$10 milhões.
“Se acostumaram a tratar o nosso povo como nada e, a partir de agora, vão ter que colocar a mão no bolso e alguns vão ter que ir para a cadeia para aprender que não está em vigor no Brasil a Bíblia. Está em vigor no Brasil a Constituição”, disse o coordenador do Idafro ao participar da audiência pública sobre o caso.
O Idafro também acionou o MPBA para que o governo do estado e a prefeitura de Salvador não contratem a cantora Claudia Leitte para quaisquer apresentações artísticas.
Hédio Silva Jr. fez um apelo para que o sistema judiciário ofereça aos símbolos das religiões de matriz africana o mesmo nível de proteção e consideração que, na sua opinião, já seria dispensado aos símbolos do cristianismo.
Leia também: A intolerância woke/identitária à luz do caso Claudia Leitte
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Comentários (1)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
04.02.2025 12:16História ridícula de muita gente querendo aparecer as custas da fama de outros. É a eterna luta pelos seus 15 min.