Prefeito de São Paulo convida Campos Neto para Secretaria da Fazenda
Presidente do BC indicado na gestão Bolsonaro agradeceu o convite, mas afirmou já ter um projeto em andamento
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, convidou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (foto), para assumir a Secretaria da Fazenda em seu segundo mandato, que começa em janeiro.
Campos Neto, no entanto, recusou a proposta. A pasta continua sob o comando de Luis Felipe Vidal Arellano, atual secretário técnico e servidor de carreira.
O secretário de Governo, Edson Aparecido, disse ao jornal O Globo que Campos Neto possui planos de trabalhar fora do Brasil no primeiro semestre de 2024. Ele agradeceu o convite, mas afirmou já ter um projeto em andamento.
Em publicação nas redes sociais, Nunes anunciou a permanência de Arellano na Secretaria da Fazenda, destacando seu “currículo excepcional”, sem mencionar a recusa de Campos Neto.
O prefeito também anunciou a indicação do vereador Rodrigo Goulart (PSD) para a Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Econômico, sinalizando uma aliança com o partido de Gilberto Kassab.
Campos Neto deixa BC
Campos Neto deixou informalmente o cargo em 20 de dezembro, entregando o comando da instituição para Gabriel Galípolo, o escolhido pelo presidente Lula para conduzir o Banco Central pelos próximos quatro anos.
Galípolo, que atua até o fim do ano como diretor de Política Monetária da instituição, rasgou elogios a Campos Neto pela “transição entre amigos”.
“Vou aproveitar para agradeceu ao Roberto. O Roberto, em várias vezes nas reuniões, ele citava o Powell, mas não era o Jerome Powell [presidente do FED, Banco Central americano], era o Colin Powell [ex-secretário de Estados dos EUA] que ele citava, dizendo sobre você exercer influência num ambiente de reunião não pela autoridade, mas pela experiência e pelo aconselhamento”, comentou Galípolo durante entrevista sobre o balanço de inflação do BC, “the last dance” de Campos Neto na instituição, como brincaram no início da apresentação.
“E eu sou testemunha da generosidade que o Roberto teve ao longo de todo esse processo de transição. Às vezes o Roberto usa a palavra suave, às vezes eu uso generosidade, mas a verdade é que ela foi uma transição entre amigos mesmo, foi muito amistosa”, seguiu Galípolo, indicado para assumir a presidência do BC por Lula, que se acostumou a pintar Campos Neto como um inimigo ao longo dos seus dois primeiros anos de governo.
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