Prefeito de Palmas é alvo de operação da PF sobre venda de sentenças
Ação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e é um desdobramento da quarta fase da Operação Sisamnes
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 30, a nona fase da Operação Sisamnes, com o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Palmas (TO) e uma medida cautelar em Brasília. A ofensiva mira suspeitos de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais e vazamento de informações sigilosas. Um dos alvos é o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos).
A ação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é um desdobramento da quarta fase da mesma operação, que prendeu o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Em mensagens obtidas nas investigações, Thiago mencionava contatos em Brasília com acesso a investigações sigilosas do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
A PF pediu o afastamento do prefeito de Palmass, mas Zanin negou a solicitação.
O advogado Michelangelo Cervi Corsetti, suspeito de repassar informações sigilosas de inquéritos no STJ, também foi alvo de medidas cautelares.
Segundo a PF, os alvos desta sexta teriam tido acesso prévio a detalhes de operações policiais, o que comprometeu a eficácia de decisões judiciais.
Os investigadores apuram se houve concessão de privilégios ilegais a um dos presos da operação. Um advogado de Brasília, também investigado, é suspeito de repassar informações sigilosas aos envolvidos e foi alvo de medidas cautelares, incluindo proibição de deixar o país e de contato com outros investigados.
Operação Sisamnes
Essa é a terceira fase da Sisamnes deflagrada nesta semana.
Na quarta-feira, 28, cinco pessoas foram presas sob suspeita de integrarem um grupo responsável por espionagem e homicídios por encomenda. A PF identificou tabelas com preços para monitoramento de autoridades como ministros, senadores, deputados e juízes. Os investigadores agora apuram se esses serviços chegaram a ser efetivamente contratados.
No dia seguinte, a oitava fase da operação teve como alvo o juiz Ivan Lúcio Amarante, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), suspeito de vender sentenças. Por ordem do STF, ele foi afastado do cargo. A Justiça também determinou o sequestro de bens avaliados em R$ 30 milhões e a retenção de seu passaporte. Amarante já havia sido afastado anteriormente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
As investigações indicam que o juiz teria recebido propinas milionárias disfarçadas por meio de um esquema de lavagem de dinheiro.
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