Pré-candidata à Presidência, Samara Martins reclama de “invisibilidade”
Cirurgiã-dentista pelo SUS e militante da UP, denuncia falta de cobertura mediática; chapa de 2022 recebeu 0,05% dos votos
Samara Martins, 38, lançada à disputa presidencial pela UP (Unidade Popular), partido registrado no TSE desde 2019, critica a falta de cobertura da mídia sobre sua campanha. Única mulher entre os pré-candidatos à Presidência em 2026, ela acredita que seu “apagamento” não é acidental.
“Essa invisibilidade das mulheres também é clara na política, tanto que o nosso nome basicamente não é citado como pré-candidatura em nenhum veículo de comunicação maior, às vezes só em pequenos blogs, em pequenos jornais”, afirma.
Na avaliação de Samara, o fenômeno reflete padrões estruturais. Ela sustenta que a sociedade trata as mulheres como “menores”, menos relevantes nas arenas de poder. A questão extrapola sua candidatura individual.
A pré-candidata também critica o que denomina “falsa polarização”. Segundo ela, a concentração mediática em duas ou três candidaturas obscurece as demais propostas e reduz o debate público a escolhas limitadas.
Trajetória e posicionamentos
Formada em Odontologia, Samara Martins atua na área de saúde da família do SUS. Natural de Minas Gerais, mora no Rio Grande do Norte. Sua atuação política começou no grêmio estudantil, passou pela função de diretora de mulheres da UNE e coordenadora da Frente Negra Revolucionária, iniciativa da UP dedicada ao combate ao racismo.
Integrou também o movimento de mulheres Olga Benário. Em 2022, concorreu como vice na chapa de Leonardo Péricles, que recebeu 0,05% dos votos.
A campanha de 2026 terá orientação socialista. Martins rejeita medidas como a PEC da Blindagem e o PL que restringe aborto em caso de estupro, classificando-as como “antipovo” e produto direto de “um sistema capitalista no qual tudo gira em torno do lucro de alguns”.
Aos 38 anos, pode ser não apenas a única mulher, mas também a candidata mais jovem do pleito. Martins defende a renovação da política nacional e a participação de uma geração com potencial transformador. Sobre as chances de vitória, afirma: “É possível que a gente consiga, sim”, ressalvando que “chances reais de vitória dependem do povo”.
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