Praça substitui cracolândia no centro de SP
Espaço na rua dos Protestantes recebeu quadra esportiva e pavimento novo após servir como ponto de uso aberto de drogas
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entregaram nesta quarta-feira, 1º, a Praça do Triunfo, erguida no terreno da rua dos Protestantes, em Santa Ifigênia, que até um ano e meio atrás abrigava a “cracolândia”, um dos principais pontos de concentração de usuários de crack da capital.
O local havia sido isolado por um muro em 2024, medida contestada na Justiça e mantida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Muro deu lugar a quadra esportiva
A área havia recebido usuários deslocados após o fechamento da antiga Praça Princesa Isabel, hoje transformada em parque. Um vídeo institucional exibido na cerimônia relembrou que, em 2016, o ponto chegou a reunir 4.000 pessoas.
Além da repavimentação, o espaço ganhou uma quadra poliesportiva aberta a moradores. Durante a inauguração, jovens praticavam vôlei e basquete no local, e os dois governantes chegaram a arremessar bolas na cesta.
Um padre da Paróquia Santa Ifigênia, João Paulo Rizek, abriu a solenidade com uma oração pela nova praça: “Que esse espaço sirva para abençoar a saúde da mente e o corpo”, disse.
Prefeito e governador afirmam ter encerrado cracolândia
Nunes declarou ter “certeza de que a cracolândia não vai voltar mais porque o esquema não vai voltar a governar São Paulo”.
De acordo com o prefeito, o compromisso de acabar com a concentração de usuários foi firmado no primeiro mês do governo Tarcísio, em reunião no Palácio dos Bandeirantes. Ele citou ainda a desocupação da favela do Moinho, apontada por ele como antiga base do tráfico.
Tarcísio associou o resultado a ações que uniram diferentes esferas de governo e mencionou debates eleitorais de 2022 sobre o tema: “Era uma questão de atitude. Se a gente quisesse acabar, a gente acabaria”, afirmou: “Era necessário dar um basta ao tráfico de drogas. Nós demos”.
Apesar das declarações, dados obtidos pela Folha indicam que grupos de usuários, geralmente com menos de dez pessoas, ainda circulam por cerca de 260 pontos do distrito de Santa Cecília e arredores, forçados a se deslocar continuamente para evitar abordagens da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana. A praça Marechal Deodoro é hoje o principal ponto de concentração nessa região central.
Investigações miraram lavagem de dinheiro
A revitalização também envolveu operações policiais no entorno da praça, que resultaram em prisões por tráfico e lavagem de dinheiro.
Segundo Tarcísio, parte dos estabelecimentos da região tinha vínculo com o PCC (Primeiro Comando da Capital): “Você tinha hotel, restaurante registrado em nome de beneficiários de programas sociais”.
Ao todo, mais de cem imóveis na área foram lacrados pelo poder público durante as ações.
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