Polícia desarticula esquema com deepfake de Gusttavo Lima, Marcelo Rossi e Fábio de Melo
Operação Cáritas cumpre mandados em cinco estados; grupo é suspeito de arrecadar cerca de R$ 10 milhões com vídeos de IA
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu cinco pessoas na quarta-feira, 28, suspeitas de integrar uma organização criminosa que simulava campanhas de caridade na internet. Os suspeitos usavam vídeos feitos com inteligência artificial que reproduziam a imagem do cantor Gusttavo Lima e dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Segundo a corporação, o esquema rendeu cerca de R$ 10 milhões.
Como funcionava o golpe
De acordo com a PCDF, o grupo criava páginas de arrecadação falsas e as divulgava nas redes sociais com fotos de idosos, crianças e pessoas com doenças graves. Os conteúdos também traziam representações religiosas, entre elas imagens de Jesus Cristo.
A polícia descreveu o uso da tecnologia: “Para ampliar o alcance das fraudes, os investigados recorriam a ferramentas de inteligência artificial, incluindo a tecnologia deepfake, para produzir vídeos falsos com imagens de personalidades públicas”.
Os recursos seguiam para contas controladas pelos suspeitos. Entre 13 de outubro e 26 de novembro de 2025, uma empresa ligada ao grupo recebeu 215.575 transações, que somaram R$ 9.839.087,73. A maior parte dos pagamentos foi de R$ 30 e R$ 50.
A PCDF avalia que o volume indica muitos lesados: “O padrão indica a possibilidade de um número expressivo de vítimas em diferentes regiões do país, embora a quantidade de transações não corresponda necessariamente ao número de pessoas lesadas”.
Ação em cinco estados
Batizada de Operação Cáritas, a investigação foi conduzida pela 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina (DF). Houve cumprimento de ordens judiciais no Distrito Federal, em Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão e de bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais.
Foram detidos dois suspeitos em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás (GO), um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). Eles responderão por estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Os agentes apreenderam carros de luxo e localizaram criptomoedas avaliadas em cerca de US$ 400 mil, ou R$ 2,14 milhões pela cotação de quarta.
Divisão de tarefas e material apreendido
A polícia afirma que os integrantes dividiam funções. Havia responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico das fraudes, pela administração das redes sociais, pela abertura de empresas e pela movimentação e dispersão do dinheiro.
Nas buscas, os policiais encontraram cerca de 230 GB de arquivos, entre vídeos, imagens, roteiros, códigos de programação, bancos de dados e materiais para novas campanhas fraudulentas.
O cruzamento de dados feito pela PCDF identificou 66 registros de ocorrência ligados a empresas que receberam valores de fraudes eletrônicas. Os casos incluem falsas compras, boletos fraudulentos e investimentos fictícios.
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