Polícia de SP pede prisão de ex-piloto da Latam por abuso sexual
Inquérito conclui investigação contra rede de exploração sexual e encaminha ao MP pedido de detenção permanente de seis suspeitos
A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito sobre o caso do piloto Sergio Antonio Lopes, 60 anos, e identificou 11 vítimas de uma rede de exploração sexual infantil que ele teria comandado.
Na quarta-feira, 1º de abril, a 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) encaminhou ao Ministério Público paulista o pedido de prisão preventiva de Lopes e outras cinco mulheres apontadas como integrantes do esquema.
Mais de cem crimes individualizados
O inquérito discrimina os delitos por vítima. Como são 11 pessoas lesadas e seis investigados, o número total de infrações atribuídas ao grupo ultrapassa a marca de cem. A lista de crimes inclui estupro de vulnerável, produção e armazenamento de pornografia infantojuvenil, aliciamento de crianças, favorecimento à prostituição de menores, organização criminosa e coação no curso do processo, entre outros.
Lopes estava preso desde 9 de fevereiro, quando foi detido no momento em que se preparava para embarcar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro. A companhia aérea Latam, para a qual trabalhava, anunciou sua demissão após ser comunicada sobre as suspeitas levantadas pela investigação.
A prisão temporária, que tem limite legal de 60 dias, seria substituída pela preventiva — modalidade que não prevê prazo de encerramento — caso o Ministério Público acate o pedido e o Judiciário o defira.
Operação em duas fases e rede de aliciamento
A investigação, batizada de “Operação Apertem os Cintos”, teve início em outubro de 2025 e se desdobrou em duas etapas. A primeira ocorreu em fevereiro de 2026, com a prisão de Lopes. A segunda fase aconteceu na primeira quinzena de março, no Espírito Santo, onde outra mulher foi detida e duas vítimas foram identificadas, entre elas uma criança de três anos.
A última integrante do grupo foi presa em 20 de março de 2026, no bairro Campo Belo, na zona sul da capital paulista. Segundo a polícia, ela recrutava outras mulheres para a rede e fornecia material pornográfico envolvendo crianças da própria família.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que não divulgará mais detalhes em razão do sigilo que envolve o procedimento.
Defesa invoca saúde do réu e critica exposição pública
A advogada de Lopes, Claudia Apolonia Barbosa, disse que vai preservar o segredo de Justiça imposto ao caso. Em nota, afirmou acreditar “na sensibilidade do Judiciário em adequar suas condutas e desconstruir uma imagem de monstro que foi criada para promoções pessoais”.
A defensora também mencionou que o piloto passou por uma cirurgia de grande porte e por um tratamento que, segundo ela, produziu “uma alteração sensível, química e comportamental”, e acrescentou que “isso explica muitas coisas”.
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