Polícia de SP desmonta central de golpes do “falso advogado”
Operação desarticula esquema estruturado de fraude que explorava dados públicos de processos judiciais para enganar vítimas
A Polícia Civil de São Paulo prendeu 16 pessoas em um imóvel no bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital, onde funcionava um “call center” do estelionato. O esquema, montado com equipamentos tecnológicos e divisão de funções entre os integrantes, tinha como principal modalidade o “golpe do falso advogado”.
A ação foi conduzida por policiais da 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) a partir de uma denúncia anônima. Ao chegar ao endereço, os agentes notaram movimentação intensa de pessoas. Um dos suspeitos abordados do lado de fora confirmou que o interior do imóvel abrigava uma central com notebooks e outros equipamentos.
No fundo da edificação, os policiais encontraram diversas pessoas diante de computadores. Em um dos aparelhos, havia registro de uma transação: um comprovante de R$ 1,3 mil enviado por uma vítima. A partir desse dado, foi localizado um boletim de ocorrência registrado pela mesma pessoa, confirmando a fraude.
Como o golpe funcionava
O delegado Ronald Quene, titular da 1ª Cerco, explicou o mecanismo da fraude: “Eles pegavam dados de processos públicos, se passavam pelo advogado da vítima e cobravam valores de taxas judiciais, honorários, entre outros”.
O método tirava proveito da transparência do sistema judiciário brasileiro. Informações como nomes das partes, advogados responsáveis e andamento processual são acessíveis a qualquer pessoa nos portais dos tribunais — e foram usadas pelo grupo para dar aparência de legitimidade às abordagens.
A investigação indicou que a organização operava em etapas: captação de dados, criação e administração de perfis falsos, contato direto com as vítimas e, por fim, a movimentação dos valores obtidos de forma ilícita. O proprietário do imóvel alugado também estava no local e, segundo a polícia, tinha vínculos com o grupo e antecedentes criminais.
Material apreendido e indiciamentos
A operação resultou na apreensão de 36 celulares, 58 cartões bancários, dois automóveis, uma motocicleta, R$ 1 mil em dinheiro, duas máquinas de cartão, além de notebooks e fones de ouvido do tipo headset — equipamentos comuns em esquemas desse tipo.
Os 16 detidos responderão por associação criminosa e estelionato. O caso foi registrado na 1ª Delegacia Seccional do Centro de São Paulo.
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