Polícia Civil prende dono da 2GO Bank
Operação Cineris cumpre 22 mandados, apura lavagem de R$ 500 milhões e uso de dados de moradores do Jardim Pantanal
A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta terça, 16, o ex-policial civil Cyllas Salerno Elias, controlador da 2GO Instituição de Pagamentos, durante a Operação Cineris, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo.
Segundo o MPSP, a investigação mira uma organização criminosa internacional de fraudes virtuais e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 500 milhões. As ordens judiciais foram expedidas a pedido da Promotoria e cumpridas em endereços na capital e no interior.
De acordo com as investigações, os aliciadores abordavam famílias com a promessa de cestas básicas e pequenos valores em dinheiro após as enchentes de 2022. Em troca, recolhiam documentos e preenchiam cadastros supostamente assistenciais.
Com esses dados, eram abertas contas bancárias em nome das vítimas, que passavam a figurar como titulares de operações financeiras usadas para mascarar a origem ilícita dos recursos.
A Promotoria informou que, além das prisões, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A Polícia Civil apreendeu celulares, computadores, documentos e mídias para perícia.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a investigação começou no 1º Distrito Policial de Rosana após registro de boletim de ocorrência de uma vítima que relatou ter sido enganada em plataforma digital.
Os investigadores identificaram o uso de empresas de fachada para emitir notas e simular serviços, a fim de “esquentar” transferências fragmentadas recebidas das contas abertas com dados de moradores do Jardim Pantanal.
Parte da estrutura tecnológica do grupo, afirma a Polícia Civil, operava a partir de servidores na Turquia, o que exigiu medidas para rastrear acessos e fluxos financeiros no exterior. Também há a apuração sobre uma empresa aberta por um policial civil, preso no curso da operação, que teria sido usada no circuito de lavagem.
Entre os alvos está Cyllas Salerno Elias, ex-policial civil e controlador da 2GO, preso em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais.
A Corregedoria da Polícia Civil informou que o procedimento administrativo referente ao servidor segue em andamento. A defesa do investigado declarou que a instituição de pagamentos forneceu dados às autoridades e que eventuais fraudes teriam ocorrido em bancos de origem; a versão será analisada nos autos.
O MPSP disse que vítimas identificadas como enganadas para ceder seus documentos serão excluídas do polo passivo do processo. A orientação é para que moradores que desconfiarem de contas abertas em seus nomes registrem boletim de ocorrência e procurem o Ministério Público para regularização.
As investigações continuam para delimitar a participação de cada suspeito, rastrear beneficiários e mapear as conexões internacionais da rede desarticulada nesta fase.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)