PM prende suspeito de participação em tentativa de sequestro de Moro
Agentes do 4º Batalhão de Polícia de Choque da PM de São Paulo identificaram o homem durante abordagem em Osasco
A Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) prendeu nesta segunda-feira, 7, um homem suspeito de envolvimento na tentativa de sequestro do senador Sergio Moro (União Brasil) em 2023.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a abordagem foi realizada durante uma patrulha em Osasco. Agentes do 4º Batalhão de Polícia de Choque da PM de São Paulo identificaram que ele um foragido da Justiça.
Contra o suspeito, havia um mandado de prisão em aberto em razão da participação de um roubo a um avião pagador em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. As investigações apontaram que o homem estava em um dos carros usados na ação criminosa.
“Na época, os criminosos usaram viaturas falsas para abordar a aeronave logo após o pouso e praticar o roubo. Um policial e um assaltante foram mortos na troca de tiros”, diz trecho da nota da SSP-SP.
“Ele também é suspeito de planejar um ataque ao Setor de Retaguarda e Tesouraria do Banco do Brasil em Caruaru, Pernambuco. Ele foi encaminhado pelo COE à sede da Polícia federal, onde o caso é registrado”, continua.
Crimes contra Moro
Em janeiro, a Justiça Federal havia condenado oito integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) por crimes de organização criminosa e de tentativa de extorsão mediante sequestro contra Moro.
As maiores penas chegam a quatorze anos e nove meses de prisão.
Segundo a sentença, o PCC queria retaliar Moro pelas ações adotadas contra o crime organizado durante sua gestão à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Conforme apurado na presente investigação, os motivos do crime estão relacionados às medidas adotadas por Sergio Moro enquanto ministro da Justiça, mais precisamente a transferência de lideranças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital para presídios federais de segurança máxima, bem como a proibição de visitas íntimas nesses presídios, para evitar a transmissão de ordens de hierarquia. Além de concretizar vingança, os criminosos objetivavam obter vantagens materiais com a prática de sequestro, desde a revogação dessas medidas adotadas pelo ex-ministro até a difusão de sensação de pânico generalizado na população civil e em autoridades públicas, diante do ataque direto àqueles que se dedicaram ao enfrentamento do crime organizado.”
Foram condenados: Claudinei Gomes Carias, Franklin da Silva Correa, Herick da Silva Soares, Aline Arndt Ferri, Cintia Aparecida Pinheiro Melesqui, Aline de Lima Paixão, Oscalina Lima Graciote e Hemilly Adriane Mathias Abrantes.
Outros três acusados foram absolvidos.
Dois dos criminosos inicialmente acusados foram assassinados pelo próprio PCC na prisão.
O plano do PCC
Em março de 2023, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que investiga o PCC desde o início dos anos 2000, avisou à cúpula da Polícia Federal (PF), em Brasília, sobre um plano para realizar assassinatos de servidores públicos e autoridades.
Moro seria um dos nomes apontados pela investigação como alvos da facção criminosa. De acordo com os investigadores, o PCC pretendia se vingar das ações de Moro, enquanto ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro, de transferir líderes da facção criminosa para presídios federais.
Segundo a PF, o PCC tinha olheiros para monitorar a rotina do senador, da esposa e deputada federal Rosângela Moro (União Brasil) e de familiares.
A investigação apontou para o envolvimento de dez criminosos no monitoramento, que envolvia o acompanhamento de Moro em viagens.
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