PF prende presidente da Conafer, foragido da Operação Sem Desconto
Carlos Roberto Ferreira Lopes era procurado desde novembro de 2025
A Polícia Federal comunicou nesta quinta-feira, 13, a prisão do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
Investigado na Operação Sem Desconto, ele estava foragido desde novembro de 2025. Segundo os investigadores, Ferreira Lopes se escondeu em um território indígena de difícil acesso no sul da Bahia para não ser localizado.
A prisão ocorreu na quarta-feira, 12, após ele se apresentar na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.
Ferreira Lopes será encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos de praxe, segundo a PF.
O presidente da Conafer foi indiciado pela PF sob acusação de corrupção, além de outros crimes envolvendo desvios de aposentadorias e pensões do INSS.
CPMI do INSS
O relatório final da CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), apontou o presidente da Conafer como uma das figuras centrais do núcleo investigado ligado à entidade.
Ferreira Lopes foi uma das 216 pessoas que tiveram o indiciamento solicitado no documento, que acabou não aprovado pelo colegiado.
As acusações contra ele se concentram na atuação da Conafer no esquema de descontos associativos não autorizados sobre aposentadorias e pensões do INSS, nas suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e enriquecimento ilícito, entre outros crimes apontados no relatório.
Durante o depoimento, Lopes foi confrontado sobre suas relações com empresas que prestaram serviços à Conafer. Um exemplo foi a Santos Agroindustria Atacadista e Varejista, empresa que recebeu 100 milhões de reais da confederação. Segundo Gaspar, a empresa tem como dono Cícero Marcelino, que seria, na visão do colegiado, uma espécie de braço-direito do presidente da Conafer e operador dos desvios de descontos associativos.
“Hoje, a gente descobriu outro Maurício Camisotti, se chama Carlos Roberto Ferreira Lopes. Pelas mãos da Conafer passaram mais de R$ 800 milhões, aqui nós descobrimos que R$ 140 milhões foram direcionados diretamente para o assessor dele, Cícero Marcelino”, disse Gaspar.
“O Cícero nunca foi funcionário da Conafer. O Cícero sempre foi um fornecedor de bens e serviços da Conafer por mais de 15 anos. E pegou essa pecha aí de falar que era assessor – assessor são os egos da amizade, né? Como nós todos vimos aqui. É o querido, é o amigo”, rebateu Carlos Roberto Lopes.
O presidente da Conafer teve a prisão determinada pelo colegiado por falso testemunho. Após pagar fiança, Carlos Roberto Ferreira Lopes foi libertado.
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