PF ouve oito investigados no caso Master-BRB
Depoimentos ocorrerão na sede do STF, presencialmente ou por videoconferência
A Polícia Federal começa nesta segunda-feira, 26, a ouvir oito investigados no inquérito que apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os depoimentos ocorrerão na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), presencialmente ou por videoconferência.
Na segunda-feira, serão ouvidos quatro investigados: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Na terça, prestam depoimento Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.
Participação do BRB
O caso tramita no STF desde dezembro, após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do processo. A investigação busca detalhes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB, interrompida pelo Banco Central, e envolve operações que teriam movimentado cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos até 40% acima da média do mercado, considerados irrealistas pelos investigadores.
Há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema, que também teria contado com elos societários, familiares ou funcionais para inflar artificialmente ativos do banco.
Em março, o BRB chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso em novembro durante a Operação Compliance Zero, mas solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A investigação aponta que o grupo pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores ao erro, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
A PF estima que a fraude envolva R$ 12,2 bilhões em carteiras fictícias e R$ 11,5 bilhões em fundos e ativos inflados.
Ibaneis
Os depoimentos podem detalhar o papel de diretores, ex-executivos e empresários na tentativa de aquisição, além de esclarecer supostas conversas de Vorcaro com autoridades, como o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). Vorcaro nega irregularidades.
Em depoimento à PF, o banqueiro afirmou que chegou a discutir a venda do Master para o BRB com o governador. Ibaneis confirmou ter se encontrado com Vorcaro duas vezes, mas disse que em nenhuma delas tratou do assunto.
Parte do depoimento de Vorcaro foi publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas confirmado por O Antagonista.
Antes da liquidação do Banco Master, Vorcaro manteve uma rede de influência que tinha o apoio de políticos da Câmara, Senado e no Poder Executivo. No depoimento, Vorcaro não apresentou detalhes das conversas, mas admitiu que recebeu o governador em sua residência.
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