PF nega que tomou depoimento ou informações de Vorcaro sobre filme de Lula
Informações publicadas indicariam um pagamento de 30 milhões de reais, “por fora” para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone
Em nota oficial, a Polícia Federal (PF) negou que tenha coletado qualquer depoimento ou ter recebido anexos do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro referente a um suposto financiamento milionário de um documentário em homenagem ao presidente Lula. Além disso, o órgão informou que vai instaurar uma investigação para a tomada de providências.
“As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”, declarou o órgão.
Como mostramos nesta sexta-feira, segundo a Veja foram entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela defesa de Daniel Vorcaro, no âmbito das negociações por uma delação premiada que indicariam um pagamento de 30 milhões de reais, “por fora”, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone.
Em áudio obtido pela revista Veja, o banqueiro contou que o pagamento seria parte das negociações feitas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para conseguir acesso aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo partido.
Segundo Vorcaro, a aproximação do Master com Vaccari Neto ocorreu por intermédio do então CEO do Master, Augusto Lima, e do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
A PGR, em nota oficial, informou que rejeitou as propostas de delação premiada apresentadas pela defesa Vorcaro, mas negou ter mantido interlocução direta com o investigado.
Em nota, o órgão disse que todas as propostas formalizadas foram recebidas nos termos elaborados pelos advogados e que os motivos da rejeição foram comunicados à defesa. Segundo a PGR, Vorcaro não prestou depoimento oral no âmbito das tratativas.
“A Polícia Federal informa que recebeu, nesta sexta-feira (9/10), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”, declarou o órgão.
“Peça eleitoral irresponsável”
O PT também reagiu à reportagem da revista. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o partido classificou a publicação como uma “peça eleitoral irresponsável” e afirmou que a reportagem apresenta acusações graves sem provas.
Segundo a legenda, o suposto depoimento de Vorcaro não teria registro na Polícia Federal nem faria parte de uma delação aceita pelo Ministério Público ou pela própria PF. O PT chamou o episódio de “farsa”, disse que a publicação teria o objetivo de interferir no segundo turno da eleição presidencial e que vai acionar a revista judicialmente.
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