PF não vê coação de Zambelli contra STF na Itália
No entanto, relatório aponta que a parlamentar descumpriu medida cautelar
Relatório da Polícia Federal (PF) concluiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) não atuou diretamente na Itália para coagir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos em que foi condenada, segundo a Folha de S.Paulo.
“Portanto, embora a intenção de frustrar a aplicação da lei penal tenha sido verbalizada, o comportamento de Carla Zambelli, salvo melhor juízo, não ultrapassou o campo da retórica, inexistindo prova de efetivo êxito na adoção de expedientes, contatos, articulações ou providências aptos a comprometer o regular andamento de ação penal”, diz trecho do documento assinado pela delegada Verônica Snoeck Salles e encaminhado para o ministro Alexandre de Moraes.
O inquérito foi instaurado por ordem de Moraes no dia 5 de junho, após a deputada deixar o Brasil e afirmar publicamente que a decisão foi tomada para evitar uma possível prisão.
Zambelli foi presa em Roma em 29 de julho. Ela estava foragida após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
Ataques ao Supremo e redes sociais
O relatório aponta, contudo, que Zambelli utilizou perfis nas redes sociais para proferir ataques contra o Supremo e apoiar o tarifaço estabelecido por Donald Trump sobre importações brasileiras.
Para a PF, a parlamentar descumpriu uma decisão o STF que proibia Zambelli de usar as plataformas.
Para a corporação, as postagens de Zambelli revelam a intenção de fugir da condenação e de continuar promovendo condutas criminosas, como a disseminação de desinformação contra as instituições democráticas.
Apesar disso, a PF destacou que não houve repercussão prática das manifestações:
“As condutas identificadas restringiram-se a publicações em redes sociais e manifestações de caráter opinativo […], sem qualquer repercussão prática sobre o curso de ações penais em trâmite no Brasil”, diz trecho.
Doações via Pix
A PF afirma que as contas de Zambelli tiveram um “aumento significativo” de transferências via Pix a partir de 19 de maio, após a parlamentar solicitar doações para pagar multas judiciais.
Segundo o relatório, foram registradas 88 transferências acima de R$ 500, sendo seis delas feitas pela própria deputada, movimentando recursos entre contas de sua titularidade.
“Nesse sentido, verificou-se que, entre 08/05/2025 e 24/05/2025, Carla Zambelli transferiu de sua conta no Banco Itaú Unibanco S.A. para sua conta na Caixa Econômica Federal o montante de R$ 339.500,00”, completa.
O valor total recebido em doações não foi especificado no documento.
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