PF investiga auditor por liberar bagagens sem fiscalização em voo com Motta
Relatório aponta entrada de volumes sem raio-x em aeronave com autoridades
A Polícia Federal (PF) investiga um auditor da Receita Federal por suspeita de prevaricação e descaminho ao permitir a entrada de bagagens no país sem fiscalização em um voo que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Segundo a investigação, cinco volumes levados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior entraram no Brasil sem passar por raio-x na noite de 20 de abril de 2025, durante o retorno de uma viagem à ilha de São Martinho, descrita pela PF como um paraíso fiscal desde 2016.
O voo foi realizado em um avião particular de Fernando Oliveira Lima, apontado como operador de plataformas de apostas associadas ao chamado “tigrinho”. Em 2024, ele prestou depoimento na CPI das Bets e negou ser dono da plataforma.
Imagens
Imagens do circuito de segurança do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional mostram que o piloto passou inicialmente pelo raio-x com duas bagagens, retornou depois com sete volumes e contornou o pórtico detector de metais, sem submeter os itens à inspeção.
“[Ele] retorna passando por fora do pórtico de detecção de metais, sendo que, por volta das 21h40, ele passa com 7 (sete) volumes, sem submetê-los à fiscalização pelo raio-X, sendo que 2 (dois) dos volumes aparentam os que ele carregava ao retornar pelo raio-X pela primeira vez”, diz o relatório.
“É possível constatar que o Auditor Fiscal da Receita Federal permite passar sete volumes sem a devida fiscalização”, acrescenta.
A PF afirma que ainda não é possível determinar “categoricamente” a quem pertenciam as bagagens nem seu conteúdo. Ao defender o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal, o delegado Flávio Vieitez Reis apontou que o avanço das apurações pode indicar eventual envolvimento de autoridades em “condutas ilícitas”.
Na aeronave também estavam os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Em nota, Hugo Motta afirmou que cumpriu “todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” ao desembarcar e disse que aguardará manifestação da Procuradoria-Geral da República.
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