PF indicia diretor-geral da Agência Nacional de Mineração
Mauro Henrique Moreira Sousa é suspeito de favorecer interesses de empresários em processos internos da agência, segundo investigação
A Polícia Federal concluiu duas investigações sobre irregularidades no setor de mineração no estado de Minas Gerais e na Agência Nacional de Mineração (ANM) e indiciou mais de 40 pessoas, entre empresários e agentes públicos. Os casos foram reunidos nas operações Rejeito e Parcours.
A Operação Rejeito resultou em 34 indiciamentos e a Parcours em outros 16.
Segundo a PF, os inquéritos apuram a atuação de grupos estruturados que teriam se articulado com servidores públicos para obtenção de vantagens em processos de licenciamento e exploração mineral.
Entre os indiciados estão o diretor-geral da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa (foto), e o diretor da agência Caio Trivelatto.
Ambos são suspeitos de envolvimento em crimes como corrupção e advocacia administrativa, conforme os relatórios finais das investigações.
Como mostramos, também foram citados empresários do setor, entre eles Lucas Kallas e Alan Cavalcante, além de outros investigados apontados como operadores de interesses privados junto a órgãos públicos federais e estaduais.
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Os esquemas
De acordo com a investigação, os grupos teriam atuado de forma organizada para influenciar decisões administrativas e acelerar processos de interesse econômico em áreas de mineração. A PF afirma que houve articulação entre empresários e agentes públicos em diferentes níveis.
No caso da Parcours, a PF aponta a existência de um “canal pessoal e privilegiado” entre o diretor-geral da ANM, Mauro Henrique Moreira Sousa, e o empresário Luis Fernando Franceschini, da mineradora Empabra.
Segundo o relatório, havia troca frequente de mensagens, ligações e encontros presenciais, além de repasse de informações internas sobre a tramitação de processos e envio prévio de minutas de documentos antes da formalização na agência.
O diretor-geral da ANM afirmou não ter conhecimento do indiciamento e disse que não irá se manifestar no momento. Outros investigados ainda não apresentaram posicionamento.
Já a defesa de Lucas Kallas afirmou que tem “plena confiança” na inocência do empresário e que o indiciamento “requenta fatos antigos, já investigados e arquivados pela Justiça”.
Segundo a manifestação, Kallas não teria relação com a empresa investigada desde 2017 e, antes disso, teria atuado apenas como investidor.
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