PF estuda envio de delegada aos EUA após crise diplomática
Expulsão de oficial brasileiro gerou retaliação do Itamaraty e colocou em xeque parceria histórica de segurança entre os dois países
A Polícia Federal analisa se enviará a delegada Tatiana Alves Torres aos Estados Unidos para ocupar o posto deixado pelo delegado Marcelo Ivo de Carvalho, expulso do país após acusações do governo americano ligadas à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. O caso abriu uma crise diplomática entre Brasil e EUA.
A expulsão e seus desdobramentos
Marcelo Ivo de Carvalho atuava junto ao ICE, a agência federal de imigração dos Estados Unidos, desde 2023. Sua permanência havia sido prorrogada até agosto de 2026, mas em março deste ano, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, já havia determinado sua substituição por Tatiana Torres — decisão anterior, portanto, ao episódio que precipitou sua saída.
Em 20 de abril, o Departamento de Estado americano publicou nota acusando o delegado de “contornar pedidos formais de extradição”, contexto diretamente associado à prisão e posterior soltura de Ramagem, ocorridas entre os dias 13 e 15 do mesmo mês. A PF declarou que a operação havia sido conduzida em parceria com as autoridades americanas, versão que Washington jamais confirmou.
Retaliação brasileira e parceria em risco
Em resposta à expulsão do delegado, o governo brasileiro cancelou as credenciais do oficial americano do ICE que exercia funções de coordenação de imigração no Brasil. O Itamaraty classificou a conduta dos EUA como violação da “boa prática diplomática entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”.
A cooperação entre os dois países na área de segurança tem raízes consolidadas: o Brasil mantém um oficial de ligação junto ao ICE desde 2011. A decisão sobre o envio de Tatiana Torres ainda depende de avaliação interna da PF, sem que nenhuma negociação formal com Washington tenha sido iniciada até o momento.
O caso Ramagem
Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos no dia 13 de abril. Ex-parlamentar que perdeu o mandato após condenação a 16 anos e um mês por participação em tentativa de golpe ao fim do governo Jair Bolsonaro, deixou o Brasil em 2025 e é alvo de processo de extradição.
O motivo da detenção teria sido a irregularidade do visto, vencido desde março. Após pressão de aliados bolsonaristas em Washington — entre eles o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo —, Ramagem foi liberado dois dias depois da prisão.
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