PF desmantela esquema de propina em rastreamento de caminhões
Funcionários cobravam até R$ 50 mil para liberar veículos recuperados; operação cumpriu 35 prisões e 49 buscas em cinco estados
A Polícia Federal deflagrou na terça, 30, a Operação Vareio e revelou um esquema em que empregados de empresas de rastreamento vendiam informações e cobravam propina para liberar caminhões localizados após roubos.
A ação foi coordenada pela PF em Campinas e cumpriu 35 mandados de prisão temporária e 49 de busca e apreensão em São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso.
Segundo nota divulgada às 7h36 pelo órgão, houve bloqueio de R$ 40 milhões e suspensão de atividades de firmas ligadas ao grupo.
De acordo com a investigação, a quadrilha atuava em toda a cadeia do crime: abordava motoristas, levava os veículos para galpões, desmontava as peças e as revendia em plataformas virtuais.
Para impedir o rastreamento, os criminosos usavam bloqueadores de sinais de celular, GPS e Wi-Fi.
A apuração começou a partir de diligências da Operação Cacaria e identificou a participação de um empresário do setor de rastreamento.
Segundo a PF, esse empresário fornecia acesso privilegiado aos sistemas, vendendo informações que deveriam garantir segurança.
Em entrevistas, o delegado-chefe da PF em Campinas, Edson Geraldo de Souza, afirmou que houve casos de cobrança de até R$ 50 mil para que caminhões recuperados não fossem retomados.
Ele acrescentou que empresas de renome apareceram intermediando peças para clientes.
Entre agosto de 2024 e junho de 2025, o grupo cometeu ao menos 50 crimes, com meta de dois caminhões por semana.
A Polícia Federal estima que o esquema rendia mais de R$ 1 milhão por mês.
Caminhões avaliados entre R$ 700 mil e R$ 1,5 milhão eram revendidos por cerca de R$ 120 mil.
Quando as peças eram vendidas separadamente, o valor podia triplicar.
As fraudes fiscais incluíam o uso de notas falsas para transporte de componentes.
O Ministério Público do Estado de São Paulo atuou em parceria com a PF.
A polícia militar rodoviária prestou apoio no cumprimento das ordens judiciais.
Em Campinas, a PF cumpriu dois mandados de prisão e quatro de busca.
As medidas financeiras atingiram contas de parentes e empresas de fachada.
A polícia sequestrou bens e suspendeu atividades de companhias suspeitas de negociar peças roubadas.
Segundo a PF, a quadrilha usava três métodos principais: abordagens armadas, falsas contratações de fretes por aplicativos e ataques em áreas de descanso de caminhoneiros.
A lavagem de dinheiro era feita por meio de contas de familiares, laranjas e empresas de fachada.
Os investigados vão responder por organização criminosa armada, roubo, receptação e lavagem de capitais.
A operação revelou a fragilidade do setor de rastreamento de veículos.
Para a PF, funcionários e empresários facilitaram o acesso a dados sensíveis, neutralizando barreiras tecnológicas.
Em nota, a corporação afirmou que busca “fechar o ciclo” do roubo de cargas, do bloqueio de sinal ao desmanche e à lavagem.
As apurações continuam para identificar outros envolvidos e empresas que alimentam o mercado paralelo de peças.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Jose Diogo de Almeida
01.10.2025 15:20Nossa ... inacreditavel ... o quer comentar ... os honestos deste pais estão reduzido a minoria ... pois quadrilhas de bandidos, maus empresarios, maus cidadãos, maus politicos, etc etc etc etc