PF cancela mais três depoimentos do caso Master
Defesas alegam que não tiveram acesso ao conteúdo das investigações
A Polícia Federal cancelou os depoimentos de Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Banco Master, Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do grupo de Daniel Vorcaro, e de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do Banco de Brasília (BRB).
Todos estavam previstos para ocorrer nesta terça-feira, 27.
As defesas alegam que não tiveram acesso ao conteúdo das investigações.
O único depoimento previsto que ocorreu foi o do ex-diretor do Master Luiz Antonio Bull.
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Depoimentos de segunda-feira
A PF ouviu na segunda, 26, o ex-diretor financeiro do BRB Dário Oswaldo Garcia Júnior. O depoimento durou duas horas.
Alberto Felix de Oliveira, ex-funcionário do Master, disse à PF que não tinha competência para aprovar contratos e se recusou a responder mais perguntas. Sua defesa alegou não ter tido acesso à integralidade dos autos.
A defesa de André Felipe de Oliveira Seixas Maia e de Henrique Souza e Silva Peretto, sócios da empresa Tirreno e investigados no caso, obteve a suspensão temporária das oitivas ao alegar que não teve acesso integral às provas reunidas pela PF.
A Tirreno vendeu carteiras de crédito ao Banco Master, ativos que posteriormente foram repassados ao BRB. Segundo as investigações, essas carteiras, que eram direitos sobre empréstimos, seriam fraudulentas.
Participação do BRB
O caso tramita no STF desde dezembro, após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do processo. A investigação busca detalhes da tentativa de aquisição do Master pelo BRB, interrompida pelo Banco Central, e envolve operações que teriam movimentado cerca de 12 bilhões de reais em carteiras de crédito falsas.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos até 40% acima da média do mercado, considerados irrealistas pelos investigadores.
Há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema, que também teria contado com elos societários, familiares ou funcionais para inflar artificialmente ativos do banco.
Em março, o BRB chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central.
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso em novembro durante a Operação Compliance Zero, mas solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A investigação aponta que o grupo pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores ao erro, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Leia também: Os detalhes do encontro entre Lula e o dono do Banco Master
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