PF aponta encontro entre Bacellar e desembargador preso
Presidente afastado da Alerj e Macario Judice se reuniram em churrascaria às vésperas de operação contra TH Joias
A Polícia Federal (PF) identificou um encontro entre o presidente afastado da Alerj, o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil, foto), e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em uma churrascaria na Zona Sul do Rio, na véspera da Operação Zargun, realizada em 3 setembro contra o ex-deputado TH Joias.
A informação consta na decisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o desembargador preso nesta terça, 15, acusado de vazar informações da operação. 3
Na mensagens contidas no celular de Bacellar, o deputado afastado diz ao assessor Rui Carvalho Bulhões, que estava em uma reunião com “Macario”.
“Nesse sentido, a autoridade policial destacou a Informação de Polícia Judiciária/nº 4695175/2025, consistente em análise elaborada pela Polícia Federal sobre os dados telemáticos extraídos de RODRIGO DA SILVA BACELLAR com o focop nas atividades dos alvos, principalmente nos dias que antecederam e sucederam a deflagração da Operação Zargun.
Identificou-se um encontro entre RODRIGO DA SILVA BACELLAR e o Desembargador Federal, MACÁRIO RAMOS JUDICE NETO no dia 2/9/2025, às 22h, na véspera da Operação Zargun. O referido encontro foi realizado no restaurante “Churrascaria Assador”, localizado na Avenida
Dom Henrique, s/n – Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro/RJ – CEP 20021-140.
Destacou-se, também, que a distribuição dos recursos judiciais interpostos pela partes no âmbito da investigação policial Operação Zargun – junção das Operações Oricalco e Bandeirantes -, em 2ª Instância, é feita por prevenção ao Desembargador Federal, MACÁRIO RAMOS
JUDICE NETO, sendo o Desembargador Relator no Tribunal Regional Federal da 2ª Região”, diz trecho.
Segundo a investigação, Bacellar estava com Macário Júdice no momento em que TH Joias enviava mensagens ao deputado estadual licenciado sobre sair de casa para evitar as consequências da operação.
Operação Unha e Carne
Alvo da segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações da Operação Zargun, Macário Ramos foi quem expediu o mandado de prisão do então deputado TH Joias, acusado de ligação com o Comando Vermelho (CV), em setembro.
Por determinação do ministro Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a PF cumpre um mandado de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
“A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos”, afirmou a PF.
Em nota, a defesa do desembargador afirmou que o ministro Alexandre de Moraes foi “induzido a erro ao determinar a medida extrema”.
“Ressalta, ainda, que não foi disponibilizada cópia da decisão que decretou sua prisão, obstando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A defesa apresentará os devidos esclarecimentos nos autos e requererá a sua imediata soltura”, acrescentou.
Rodrigo Bacellar
O deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso na primeira etapa e solto pelo plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi alvo de novas buscas nesta terça.
Ao solicitar a prisão preventiva, a PF afirmou que Bacellar orientou ex-deputado estadual TH Joias a fugir e destruir provas antes da prisão, em setembro.
A informação consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Moraes disse que Bacellar “tinha o conhecimento prévio sobre a alteração do número de ‘TH JOIAS’, assim como orientou o investigado na remoção de objetos da sua residência, a indicar um envolvimento direto ‘no encobrimento do investigado à atuação dos órgãos de persecução penal’”.
“A autoridade policial afirma, ainda, que (a) ‘logo após a efetivação das medidas cautelares, o Governador do Estado e a cúpula da ALERJ promoveram uma célere manobra regimental. Esta ação política, que remete à notória Carta Picciani, resultou no retorno imediato de um deputado titular ao cargo, exonerando TH JOIAS (seu suplente) do mandato parlamentar, conforme consta na edição extraordinária do DOERJ de 3/9/20256, dia da deflagração das operações policiais’, e (b) ‘a movimentação se justifica como uma estratégia imediata de controle de danos, visando desvincular a imagem da ALERJ do investigado TH JOIAS, que, como é de conhecimento público, era aliado político e presença constante em eventos institucionais dos Poderes Executivo e Legislativo’”, acrescentou.
“Nesse aspecto, consigna que ‘tal articulação serve como forte indício de que o vazamento de informações pode ter tido como objetivo primário a proteção de agentes políticos aliados à organização criminosa’, e que ‘um possível objetivo subjacente da ação obstrutiva é a manutenção do vínculo desses agentes políticos com o Comando Vermelho, facção responsável pelo maior controle territorial do Estado do Rio de Janeiro’”, continuou.
Moraes concedeu liberdade provisória a Rodrigo Bacellar na terça-feira, 9. A determinação incluiu o monitoramento do político por meio de tornozeleira eletrônica.
A medida seguiu a vontade da Alerj, que havia revogado a detenção provisória de Bacellar por 42 votos favoráveis.
Leia também: Crime e corporativismo
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)