PF abre inquérito para investigar milícia digital do Banco Master
Alguns influenciadores chegaram a receber propostas de até R$ 2 milhões para fazer a defesa da instituição de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar as denúncias segundo as quais influenciadores digitais estavam sendo procurados para defender o Banco Master e atacar responsáveis pela investigação da operação Compliance Zero, deflagrada pelo órgão.
Como mostramos mais cedo, alguns influenciadores chegaram a receber propostas de até R$ 2 milhões para fazer a defesa da instituição de Daniel Vorcaro.
Segundo O Globo, o valor foi oferecido por três meses de trabalho aos influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais.
Para um perfil com menos de 500 mil seguidores, foi oferecido um contrato no valor de 250 mil reais.
Em ambos os casos, havia uma contrapartida de oito postagens mensais.
Agência Mithi
O contratante era a Agência Mithi, registrada na Receita Federal como Miranda Comunicação.
Entre os sócios, estão Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias, e o empresário Flávio Carneiro, com 60% de participação.
A agência atua com celebridades e marcas de grife, além de instituições como a XP.
Ao jornal, Leo Dias afirmou que a Mithi não tem qualquer relação com seu portal. Ele também disse que Thiago Miranda deixou o comando do grupo em junho de 2025.
Acordo de confidencialidade
Ao programa Meio-Dia em Brasília, o vereador de Erechim Rony Gabriel (PL), um dos influenciadores procurados para defender o Master, falou sobre o acordo de confidencialidade exigido no contrato.
“Eles apresentaram para mim uma proposta no sentido de que eu tinha que assinar um contrato de confidencialidade, né, para receber as informações que se tratava de um assunto de repercussão nacional que envolvia a esquerda, o sistema, o Centrão, e assim por diante. E eu faço análises políticas lá nas minhas redes sociais. Aí eu falei: ‘Ah vamos ver do que se trata’. O meu assessor, que fez essas tratativas no sentido de assinar o contrato de confidencialidade e marcou uma reunião via Mithi comigo. Nessa reunião, ele trouxe que falava de uma forma como se Daniel Vorcaro tivesse sido uma vítima do Banco Central e que isso precisava ser veiculado. Isso precisava vazar essa informação. Essa informação deveria ser a correta veiculada e que eles teriam uma quantia de dinheiro para quem fizesse isso e tudo mais.
Eu questionei quanto, eh, se tinha algum modelo, alguma coisa, de como isso deveria sido feito. Ele me mandou o vídeo de alguns influenciadores que eles usaram como modelo naquele momento. Se necessário, se precisasse, eles pagariam a passagem para conversar inclusive com os interessados. E deixou muito claro que o cliente dele era o Daniel Vorcaro, tanto o nome do projeto é ‘Projeto DV’, como tem nos contratos de confidencialidade. Deixou claro também que a proposta girava entre valores altíssimos, né, talvez na casa do milhão no plural e coisa do tipo e que tinha esse contrato de confidenciabilidade. Ele tinha uma cláusula de rescisão de 800 mil reais aí para quem falasse, né, para quem abrisse a boca, mas devido à situação que chegou a situação do TCU. Enfim, eu resolvi que eu precisava falar, deixar isso claro para as pessoas.”
Assista:
Leia também: Uma milícia digital contra o Banco Central?
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Aldo
11.01.2026 10:05As atitudes de Dias Tofolli, Vital do Rego Filho e Jhonatan de Jesus mostram que tem muito caroço nesse angu.
Emerson
08.01.2026 15:11Alguma declaração da Prioli ?
Annie
08.01.2026 09:46Faz muito bem.