Petrobras mantém preços nas refinarias apesar de tensão global
Em comunicado à CVM, estatal confirma política de desvinculação cambial dos combustíveis, mesmo com alta por tensões no Oriente Médio
A Petrobras confirmou, em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na noite de quinta-feira, 2, que não pretende ajustar os preços dos combustíveis nas refinarias para acompanhar a alta do petróleo no mercado internacional.
Em resposta ao órgão regulador, a estatal afirmou que os reajustes são conduzidos “com base em análises técnicas e em linha com a governança da Companhia” e que a política tem sido seguida mesmo diante do “cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”.
O documento reafirma a estratégia comercial adotada pela companhia desde maio de 2023: os reajustes são feitos sem data definida e levam em conta as condições internas de refino e logística — não as oscilações do câmbio ou das cotações internacionais.
Política blindada das oscilações externas
A alta recente do barril de petróleo tem origem nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, agravadas após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com o mercado externo em alta, a tabela das refinarias da Petrobras passou a operar abaixo dos preços praticados internacionalmente — o que o setor chama de defasagem.
Essa diferença preocupa investidores porque, em tese, a empresa deixa de capturar receita que poderia obter se acompanhasse os preços do mercado global.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, já havia antecipado a posição da empresa logo após o início dos ataques: os preços seriam mantidos.
Precinho brasileiro?
Além de reiterar a política, o comunicado trouxe um elemento que deve acirrar o debate com analistas e empresas do setor: a Petrobras disse não reconhecer as estimativas de defasagem de preços que circulam no mercado. Esses cálculos são produzidos com regularidade por consultorias e especialistas do setor de energia e costumam ser usados como referência para projeções de resultado da companhia.
A política de preços da Petrobras tem raízes políticas. Durante a campanha eleitoral de 2022, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva defendia o que chamava de “abrasileirar” os preços da estatal — expressão que sinalizava a intenção de reduzir a influência das cotações externas sobre os combustíveis vendidos no Brasil.
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