Petista diz que Senado sabotará o povo se travar PEC da 6×1
Presidente da comissão especial que analisou a proposta faz alerta direto aos senadores após aprovação na Câmara
O deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial que examinou o mérito da PEC que reduz a jornada de trabalho, disse nesta quarta-feira, 27, que “se os senadores obstruírem, segurarem essa matéria, adiarem, eles não vão estar sabotando o governo Lula. Eles vão estar sabotando o povo”. A declaração foi feita ao Estadão logo após a comissão aprovar a proposta por 34 votos a 4.
O contexto da pressão
Parlamentares da Câmara acompanham com cautela o clima entre o governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcado por atritos recentes que podem influenciar o ritmo de tramitação da PEC na Casa vizinha.
Santana, no entanto, aposta no peso da opinião pública como fator de pressão sobre os senadores. “Eles vão ter que se justificar. Eles estão do lado de quem? De mais de 70% da população que quer o fim dessa escala ou de um setor empresarial minoritário que ainda tenta resistir?”, questionou.
A proposta aprovada pela comissão prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de folga garantidos e sem corte salarial.
Uma fase de transição estabelece a passagem para 42 horas nos primeiros 60 dias após a promulgação — resultado de acordo entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Críticas e defesa do processo
Santana também respondeu às declarações do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que chamou de “irresponsável” a condução do tema na Câmara.
Segundo o Estadão, o deputado rebateu afirmando que a entidade foi convidada a participar dos debates e optou por não comparecer. “Como representante do setor industrial, ele se acovardou”, disse o parlamentar.
O deputado ainda cobrou coerência do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que às vésperas da votação abandonou a postura de obstrução e passou a defender uma escala alternativa de quatro dias de trabalho por três de descanso. “Mostraram desespero, despreparo, incoerência, hipocrisia e, acima de tudo, não sabem o que querem para o País, muito menos para o trabalhador”, afirmou Santana.
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