Pesquisa mostra grande aumento da violência escolar no Ceará, terra de Camilo Santana
O Ceará destacou-se como líder nesse crescimento regional de violência escolar, apresentando o maior salto proporcional do país
Uma pesquisa realizada pela Agência Tatu, que analisou dados do DataSUS sobre violência interpessoal e autoprovocada, revela uma tendência crescente nas notificações de agressões em escolas entre 2014 e 2024.
Apesar de a Região Nordeste apresentar a menor taxa de ocorrências por 100 mil habitantes em comparação com outras regiões do Brasil, os registros de violência escolar aumentaram cinco vezes na última década.
O estado do Ceará destaca-se como líder nesse crescimento regional, apresentando um impressionante aumento de 943% em dez anos — o maior salto proporcional do país.
Em âmbito nacional, as notificações de violência escolar saltaram de 3.746 casos em 2014 para 14.747 em 2024, representando um aumento global de 294%.
As agressões físicas são as mais frequentes, mas também são registrados casos de violência psicológica e sexual.
Em relação ao perfil das vítimas, as meninas são as mais afetadas pela violência nas escolas, correspondendo a 60% dos casos reportados.
Esse percentual é ainda mais elevado nas regiões Norte (68%) e Nordeste (61%). Especialistas sugerem que a violência contra meninas está frequentemente relacionada a fatores como assédio, comportamentos machistas e bullying relacionado à aparência e comportamento.
Quando se observa a questão racial, 46% das vítimas se autodeclaram pretas ou pardas. A faixa etária mais afetada abrange pré-adolescentes entre 10 e 14 anos, que representam 37% dos incidentes registrados.
É importante notar que o número real pode ser ainda maior devido à subnotificação; muitos jovens hesitam em denunciar por medo de represálias ou por considerarem a violência uma parte normalizada de suas vidas.
Um levantamento realizado pelo Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, corrobora essa situação alarmante: cerca de 8% dos brasileiros afirmaram que alguma criança ou adolescente da sua família sofreu agressões ou ameaças físicas no ambiente escolar nos últimos 12 meses.
Além das crianças e adolescentes, os educadores também estão expostos a essa realidade hostil. Dados obtidos através do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelam que um em cada dez professores já testemunhou atentados dentro das escolas e quatro relataram ter presenciado agressões.
Em todo o Brasil, cerca de 3% mencionaram que suas instituições foram afetadas por tiroteios ou disparos acidentais. Esses dados foram coletados em 2023, mas divulgados apenas recentemente.
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