Pesquisa mostra divisão sobre confiança nas urnas eletrônicas
Levantamento da Genial/Quaest aponta índice elevado de desconfiança no sistema eleitoral
A desconfiança nas urnas eletrônicas, impulsionada nos últimos anos pelo discurso bolsonarista, continua presente em parte significativa do eleitorado, segundo pesquisa inédita da Genial/Quaest divulgada neste domingo, 15, pelo jornal O Globo.
Ao serem questionados se concordavam com a frase “As urnas eletrônicas são confiáveis”, 53% dos entrevistados responderam que sim. Ainda assim, 43% disseram não confiar no sistema — um índice elevado, próximo da metade dos entrevistados.
O recorte religioso e regional mostra diferenças marcantes.
Entre evangélicos, 52% não consideram as urnas confiáveis, enquanto 44% afirmam confiar.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 9 de fevereiro com 2.004 eleitores em 120 municípios.
Bolsonaro e as urnas
Em julho de 2021, o então presidente Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo para apontar supostas falhas nas urnas eletrônicas. Durante a transmissão, ele apresentou vídeos antigos e repetiu alegações desmentidas por agências de checagem.
A live, assistida por mais de 900 mil pessoas — o triplo da audiência habitual — levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedir a inclusão de Bolsonaro no inquérito das fake news, decisão acatada pelo ministro Alexandre de Moraes. Em dezembro daquele ano, a Polícia Federal concluiu que houve atuação deliberada para difundir desinformação.
No ano seguinte, em 2022, Bolsonaro voltou a atacar o sistema eleitoral em encontro com embaixadores no Palácio da Alvorada.
O episódio resultou em condenação no TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, o que contibuiu para sua inelegibilidade.
Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro por liderar uma tentativa de golpe.
Segundo a PGR, “o grupo registrou a ideia de ‘estabelecer um discurso sobre urnas eletrônicas e votações’ e de replicar essa narrativa ‘novamente e constantemente’, a fim de deslegitimar possível resultado eleitoral que lhe fosse desfavorável e propiciar condições indutoras da deposição do governo eleito”.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia e, posteriormente, condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão, destacando o uso da desinformação como instrumento para questionar o processo eleitoral.
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Comentários (3)
Aldo
17.02.2026 18:18Senhora Ana Lúcia, as urnas não ficam em rede, é como acessar remotamente um computador não conectado à Internet, um que esteja apenas ligado na rede elétrica mas sem um modem. E o programa instalado é aberto para conferência por partidos políticos e entidades civis e militares como OAB e EMFA.
Ana Lúcia Amaral
15.02.2026 11:51Já invadiram o sistema do Pentágono , mas as urnas eletrônicas são inexpugnáveis
Ana Lúcia Amaral
15.02.2026 11:50Como observou o Ministro André Mendonça , se é permitido desacreditar em Deus, acreditar que o homem chegou à lua, não confiar nas urnas tem mais a ver com não se acreditar na honestidade dos homens que cuidam dos procedimentos que envolvem o processo eleitoral . Ta aí o STE e o STF que não me deixam mentir.