Pesquisa Atlas: crime organizado amplia pressão sobre Lula
Levantamento mostra forte desaprovação ao governo no combate às facções, apoio majoritário ao enquadramento de PCC e CV como grupos terroristas e potencial impacto eleitoral do tema em 2026
A segurança pública desponta como um dos principais desafios políticos para o governo Lula e tende a ocupar posição central na disputa presidencial de 2026. É o que indica a pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 3, que revelou elevada insatisfação dos brasileiros com o combate ao crime organizado, além de amplo apoio a medidas mais duras contra facções criminosas.
Segundo o levantamento, 47,6% dos entrevistados classificam como “péssimo” o desempenho do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. O tema também evidencia uma profunda divisão política: entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 90,8% fazem avaliação negativa da atuação do governo, enquanto apenas 3,5% dos eleitores de Lula compartilham da mesma percepção.
A pesquisa também mostra que a discussão sobre facções criminosas passou a envolver questões de política externa e soberania nacional. Embora 53,1% aprovem a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os brasileiros se dividem sobre as consequências da medida.
Para 47,7%, a classificação representa um risco à soberania nacional e poderia abrir espaço para interferência estrangeira. Já 44,7% consideram a iniciativa necessária para fortalecer o combate ao crime organizado.
Os números refletem uma preocupação que vai além do debate político. Mais da metade da população afirma ter algum grau de proximidade com a violência associada às facções. Segundo o levantamento, 11,2% dizem já ter sido vítimas diretamente do narcotráfico ou de organizações criminosas, enquanto 45,9% conhecem alguém que passou por essa situação.
O impacto é ainda mais expressivo na Região Norte, onde 33,2% dos entrevistados relatam ter sido vítimas diretas da atuação de facções.
Quando questionados sobre quais estratégias deveriam ser priorizadas pelas autoridades, os brasileiros apontam com ampla vantagem medidas de inteligência financeira. Para 74,5%, o principal caminho para enfraquecer o crime organizado é o bloqueio de contas bancárias, o rastreamento de recursos e o combate à lavagem de dinheiro.
O aumento de operações policiais ostensivas aparece bem atrás, citado como prioridade por apenas 24,7% dos entrevistados.
O levantamento também sugere potencial impacto eleitoral do tema. A classificação de facções criminosas como organizações terroristas encontra forte respaldo popular: 50,8% afirmam que teriam mais facilidade para votar em candidatos que defendam essa proposta.
O dado reforça a tendência de endurecimento do discurso sobre segurança pública entre os pré-candidatos para 2026, em um cenário em que o combate ao crime organizado pode se tornar um dos principais critérios de escolha do eleitor.
A pesquisa ainda revela uma relação ambivalente dos brasileiros com os Estados Unidos. Enquanto 50,5% mantêm visão positiva do país, cresce a preocupação com eventual influência americana no processo político nacional. Para 36,5% dos entrevistados, há grande preocupação com a possibilidade de o presidente americano Donald Trump tentar influenciar as eleições brasileiras de 2026.
Os resultados indicam que segurança pública, soberania nacional e relações com os Estados Unidos tendem a se misturar cada vez mais no debate político dos próximos meses, criando uma frente de pressão adicional para o governo Lula.
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