Pedido de nulidade de Gonet é “uma porrada”, diz advogado que viajou com Toffoli
Augusto de Arruda Botelho já advogava para ex-diretor do Master quando dividiu jatinho com ministro do STF, que teve de deixar relatoria do caso
O advogado Augusto de Arruda Botelho (foto), que representa Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Compliance do Banco Master, elogiou o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra investigação que identificou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro em 28 mensagens de celular.
Ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Botelho ficou mais conhecido recentemente, para além de sua militância contra a Operação Lava Jato, por ter viajado com Dias Toffoli em um jatinho para assistir à final da Copa Libertadores no Peru dias antes de o ministro despachar favoravelmente ao Master, atendendo a um pedido do próprio Botelho.
Meses após relatar o caso Master de forma suspeita, Toffoli, que era sócio de empresa que fez negócios com o banco, admitiu a suspeição e deixou o caso, dando lugar a André Mendonça.
Mas Botelho não se acha suspeito para elogiar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por ter pedido a nulidade de uma investigação na qual suas relações com Vorcaro foram expostas.
“A manifestação da PGR com relação ao relatório da investigação de André Mendonça é uma porrada. E uma porrada tecnicamente bem dada”, disse o advogado em seu perfil no X.
Diante das críticas, ele emendou o comentário: “DataTwitter informa: 97% das pessoas comentando nesta publicação não leram a manifestação da PGR.”
“Porrada”
Não há muito o que ler na manifestação da PGR.
O procurador-geral alega que “mesmo que, casualmente, fosse encontrado algum indício do que o relator entendesse ser irregularidade de interesse penal, não caberia a ele aprofundar as pesquisas sobre o Colega – vale dizer, não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega“.
O colega é Moraes.
Mendonça solicitou à Polícia Federal que identificasse o interlocutor de Vorcaro em conversas cujas mensagens foram apagadas. Os investigadores indicaram que o interlocutor é Moraes. Mendonça encaminhou o caso para o plenário do STF, como indica o procedimento.
A porrada, nesse caso, é contra quem tem motivos para ser formalmente investigado.
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