Patrimônio de “Sicário” cresceu e chegou a R$ 12 milhões em seis anos
Dados enviados à CPI do Crime Organizado apontam salto patrimonial incompatível com a renda declarada à Receita Federal, com destaque para relógio avaliado em R$ 2 milhões
O patrimônio de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela Polícia Federal como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, avançou de forma acelerada nos últimos anos e passou a levantar questionamentos sobre a origem dos recursos. Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado e revelados pelo G1 indicam que os bens declarados por Mourão saltaram de R$ 2,9 milhões, em 2019, para R$ 11,9 milhões, em 2024.
A maior parte dos bens está concentrada em uma coleção de relógios de luxo, avaliada em R$ 6,7 milhões, o equivalente a 57% de todo o patrimônio. Entre os itens, chama atenção um exemplar da marca suíça Richard Mille, declarado por R$ 2 milhões. O acervo ainda inclui outros dois relógios da mesma fabricante, avaliados em R$ 1,2 milhão e R$ 1 milhão, além de peças da Patek Philippe, estimadas em R$ 900 mil e R$ 800 mil, e quatro modelos da Rolex, que somam R$ 892 mil.
Segundo a reportagem, as inconsistências não se limitam à desproporção entre renda e patrimônio. Em 2024, por exemplo, Mourão declarou possuir bens no valor de R$ 8,4 milhões. No mesmo ano, adquiriu três relógios avaliados em R$ 3,9 milhões, mas registrou apenas R$ 390 mil, referentes às parcelas iniciais dos pagamentos. Com isso, o valor efetivo do patrimônio chega a R$ 11,9 milhões.
Outro ponto identificado nos dados encaminhados à CPI envolve oscilações no valor de bens já declarados. Um apartamento em Belo Horizonte foi informado por R$ 1 milhão desde 2019, mas apareceu com valor reduzido para R$ 550 mil na declaração de 2021, antes de retornar ao valor original em 2022. A mudança impactou diretamente o total patrimonial informado em cada ano.
Há ainda registros de omissões relevantes. A coleção de relógios, que somava R$ 3,5 milhões, não foi incluída na declaração referente a 2021, embora itens semelhantes apareçam nos anos anteriores e posteriores. A inclusão posterior desses bens em declarações retificadas contribuiu para elevar de forma expressiva o patrimônio declarado. Além dos relógios, Mourão informou possuir cinco veículos, que juntos somam R$ 1,6 milhão. Entre eles estão uma Land Rover avaliada em R$ 550 mil, um Audi Q8 de R$ 538 mil, duas BMW X1 e um Toyota Corolla. Ao longo dos anos, outros veículos de alto padrão também passaram por suas declarações, incluindo modelos da Mercedes-Benz, BMW e Audi.
Relatórios da Polícia Federal citados nas investigações indicam que Mourão teria recebido cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como pagamento por “serviços ilícitos”, valor que não aparece refletido nas declarações de renda enviadas à Receita.
Sicário foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no sistema financeiro. Sob custódia da Polícia Federal, ele atentou contra a própria vida e morreu no dia 6 de março.
Leia mais: Sicário enviou a Vorcaro apurações sigilosas após alerta do Banco Central
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