Para ministro da Fazenda, CV e PCC não são grupos terroristas
Em Washington, Dario Durigan contesta classificação americana sobre as duas maiores facções criminosas do Brasil
“Não parece devido. (…) Acho que pode ter impacto no mercado financeiro, pode ter impacto no turismo e acho isso ruim”, disse nesta sexta-feira, 17, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a respeito da posição do governo Lula sobre a possibilidade de os EUA classificarem o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
A declaração foi feita em Washington, à margem das reuniões do FMI, onde Durigan integrava a delegação brasileira.
Divergência conceitual e tensão diplomática
Para o ministro, a definição de terrorismo não se aplica às duas facções: “São organizações perigosas, criminosas, que têm que ser enfrentadas com rigor da lei”.
A distinção tem peso jurídico: o terrorismo, conforme a Lei nº 13.260/2016, exige que os atos violentos sejam motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito, com o objetivo de provocar terror social — critérios que, segundo o governo brasileiro, as facções não preenchem.
A medida americana estaria em avaliação após pressão de filhos e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, de acordo com reportagem do jornal The New York Times.
O Palácio do Planalto avalia que a designação poderia abrir precedente legal para ações dos Estados Unidos em território nacional — uma perspectiva que o governo considera inaceitável sob o ponto de vista da soberania.
Durigan negou que o assunto tenha entrado na pauta de qualquer reunião bilateral durante o encontro do FMI: “Não houve essa conversa, seja comigo, seja com a equipe brasileira das áreas econômicas que estão aqui em Washington”, disse.
O ministro informou ter se encontrado com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em duas ou três ocasiões, sem que o tema fosse mencionado.
Cooperação e pacote de segurança
Divergências terminológico-criminais à parte, o Brasil anunciou um acordo de cooperação com a agência americana U.S. Customs and Border Protection para o combate ao tráfico de drogas e armas entre os dois países.
O acordo prevê o compartilhamento, pelos americanos, de imagens de raio-X e relatórios de inteligência referentes a contêineres com destino ao Brasil. Em contrapartida, as autoridades brasileiras enviarão dados sobre apreensões de armas e entorpecentes de origem americana.
“Se a gente tiver mais cooperação, como é o caso do programa que anunciamos semana passada, a gente [vai] conseguir coibir a entrada de armamento no país, já ajuda o nível de letalidade e violência que essas organizações têm no Brasil”, avaliou Durigan.
No âmbito interno, o ministro destacou a chamada lei antifacção, que eleva as penas contra grupos criminosos e milícias, define como organização criminosa qualquer grupo com três ou mais integrantes dotados de alto poder de coerção e intensifica os mecanismos de bloqueio financeiro dessas redes: “Aumenta a pena, melhora o mecanismo de investigação policial”, disse Durigan.
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