Para ex-ministro de Lula, PCC e CV são grupos terroristas
Senador petista diz que entendimento do governo é “equivocado” e concorda com Trump sobre classificação de facções criminosas
“Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário”, disse Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da educação de Lula, sobre a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
A declaração foi concedida ao portal Metrópoles: “O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”, afirmou o senador, que disse ter falado diretamente com o presidente Lula.
Camilo considerou equivocado o discurso presidencial contra a decisão do governo americano de adotar a classificação, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio. Em sem entendimento, Washington pode ser um parceiro no enfrentamento ao crime organizado.
A medida dos Estados Unidos ganhou contornos políticos no Brasil após Flávio Bolsonaro afirmar ter solicitado pessoalmente a Donald Trump, em reunião no Salão Oval, que a classificação fosse formalizada.
A posição de Lula e o contexto do Ceará
O presidente respondeu às críticas com firmeza. “Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse Lula, citando o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e o empresário Ricardo Magro. “Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fossemos uma republiqueta”, acrescentou.
O Ceará, estado representado por Camilo no Senado, ocupa posição preocupante nos indicadores de violência.
De acordo com informações do Atlas da Violência — levantamento produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Ipea, divulgado em maio de 2026 —, o estado concentrou quatro das cinco cidades com os maiores índices de homicídios do país em 2024, num cenário marcado pela disputa entre CV, PCC e o Terceiro Comando Puro.
No plenário do Senado, Camilo adotou tom diferente do usado nas declarações à imprensa. Elogiou a atuação federal na área e pediu ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que pautasse a votação da PEC da Segurança: “O Brasil sempre estará aberto à cooperação internacional no combate ao crime organizado: a cooperação entre as polícias, compartilhamento de inteligência, parcerias contra o tráfico internacional”.
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