Para Ciro Nogueira, Flávio “tem tudo para ganhar a eleição”
Líder do PP avalia que disputa presidencial dependerá de fatias mínimas do eleitorado e descarta candidatura de centro
“É uma eleição que vai ser definida na margem de erro. Não pode errar”, disse o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, durante jantar com empresários organizado pelo grupo Esfera Brasil em São Paulo, nesta segunda-feira, 27.
Para o parlamentar, a disputa presidencial de 2026 será travada num território estreito, com cerca de 13% do eleitorado ainda sem definição — e esse grupo, concentrado em Minas Gerais e São Paulo, determinará o resultado nas urnas.
Polarização e o fim da terceira via
Na avaliação de Nogueira, o cenário político não oferece brechas para candidaturas fora dos dois polos dominantes. “Não existe possibilidade disso acontecer”, afirmou ao ser questionado sobre o desempenho de uma terceira via.
O senador argumentou que, enquanto Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) permanecerem ativos na política nacional, o espaço para projetos alternativos se fecha: “As pessoas voltaram para o Lula para derrotar o Bolsonaro e agora estão voltando para derrotar o Lula”.
O dirigente acrescentou que, desde a eleição de Fernando Henrique Cardoso, o eleitorado brasileiro se divide de forma relativamente estável — cerca de 44% com inclinação à esquerda e 43% à direita.
O campo de disputa real, portanto, recairia sobre uma fatia de centro, de perfil mais conservador, localizada sobretudo nos dois maiores colégios eleitorais do país.
Flávio Bolsonaro e o discurso de unidade
Nogueira identificou Flávio Bolsonaro como o nome com melhores condições de capturar esse eleitorado indeciso, mas condicionou o sucesso da candidatura à adoção de um discurso voltado ao futuro.
“Se ele vier como candidato com a proposta de unificar o Brasil, com um discurso de que não vai perder tempo com o Lula, mas, sim, olhar para a frente e unir o país, então ele tem tudo para ganhar a eleição, porque fala com a maioria”, disse o senador.
Ciro advertiu, no entanto, que uma aproximação com o que chamou de “extrema direita” pode comprometer essa estratégia.
Sobre o escândalo envolvendo o Banco Master — e as conversas atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro nas quais Nogueira é citado —, o senador minimizou o impacto eleitoral do caso.
“É difícil jogar o escândalo Master no colo do Lula ou do Flávio”, disse, classificando o episódio como parte de “todo o quadro político do país”, sem peso para definir a disputa de outubro.
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