Ostentação de Deolane servia para ocultar origem do dinheiro, diz polícia
Relatório cita viagens à Grécia, itens de luxo e doação ao instituto de Neymar como forma de ocultar recursos ligados ao PCC
A ostentação exibida por Deolane Bezerra (foto) nas redes sociais é um dos pontos centrais da investigação que levou à prisão preventiva da influenciadora na operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
Segundo os investigadores, as viagens internacionais, carros de luxo, aeronaves e itens milionários tinham o objetivo de dar aparência de legalidade a recursos suspeitos ligados ao PCC.
O relatório policial afirma que a imagem pública construída por Deolane servia para justificar movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal identificada pela investigação.
Em um dos trechos do relatório, os investigadores apontam que a influenciadora “reverbera a imagem de profissional de sucesso e evidente ostentação financeira”, criando um ambiente propício para “a dissimulação da real origem dos recursos movimentados em seu nome”.
Entre os exemplos citados pela polícia estão viagens à Grécia, registros com bolsas e itens de grife, além de uma doação de R$ 200 mil ao instituto de Neymar durante um evento beneficente realizado no ano passado.
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O esquema
Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro.
Investigadores identificaram cerca de 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora que somaram aproximadamente R$ 716 mil.
A Polícia Civil afirma não ter encontrado contratos ou registros de prestação de serviços advocatícios que justificassem parte das movimentações financeiras. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões ligados à influenciadora.
A defesa de Deolane afirma que a influenciadora não integra organização criminosa nem praticou lavagem de dinheiro.
Em nota, os advogados classificaram as medidas adotadas pela Justiça como “desproporcionais” e reiteraram “a mais absoluta inocência” da cliente.
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