Os trunfos de Motta e Alcolumbre na corrida pela reeleição

28.10.2026

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Wal Lima
6 minutos de leitura 28.10.2026 13:53 comentários
Brasil

Os trunfos de Motta e Alcolumbre na corrida pela reeleição

Presidentes da Câmara e do Senado articulam apoios para 2027, mas direita já tem nomes para disputar o comando das duas Casas

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Os trunfos de Motta e Alcolumbre na corrida pela reeleição
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

As negociações para a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência do Senado e da Câmara, respectivamente, envolvem diferentes estratégias para conquistar apoio no Congresso. Enquanto Alcolumbre avalia articular um indulto ou uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Motta avança na formação de uma ampla coalizão partidária, que inclui o PT. As movimentações, porém, não eliminaram a desconfiança de setores da direita, que já discutem nomes alternativos para comandar as duas Casas.

Nesta quarta-feira, 28, o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) criticou os dois presidentes do Congresso em publicação no X, antigo Twitter. “Davi Alcolumbre e Hugo Motta que enfiem onde quiserem suas mentiras e propostas vazias para se reelegerem, nos mentiram uma vez, não haverá a segunda”, escreveu.

A declaração reflete a resistência de parte da oposição às articulações dos atuais presidentes. O PL, que ampliou suas bancadas nas eleições de 2026, pretende aumentar sua influência sobre o comando do Congresso e não descarta lançar candidaturas próprias.

Alcolumbre aposta em anistia e na indicação de Pacheco ao STF

No Senado, uma das principais cartas de Alcolumbre é a possibilidade de negociar uma solução para a situação jurídica de Bolsonaro. Segundo a Folha de S.Paulo, o senador pretende conversar com o presidente Lula (PT) sobre um indulto humanitário ao ex-presidente. Caso não haja acordo, a alternativa seria trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso.

A articulação teria como objetivo conquistar votos da direita para sua recondução ao comando do Senado e reduzir a pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A negociação, contudo, não representa um acordo fechado com os bolsonaristas.

Alcolumbre também defende a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, para uma vaga no STF. A escolha dependeria de uma indicação de Lula e da aprovação dos senadores. A possibilidade é discutida nos bastidores, mas não há garantia de que o presidente da República indicará Pacheco para a Corte.

A relação entre Alcolumbre e a direita, entretanto, é marcada por divergências. Parte dos parlamentares bolsonaristas cobra do presidente do Senado uma postura mais favorável ao impeachment de ministros do Supremo, enquanto ele busca preservar sua capacidade de negociação com o governo e diferentes bancadas.

Entre os nomes cotados pela direita para disputar o comando do Senado estão Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. Os dois são apontados como alternativas a Alcolumbre e buscam apoio entre os colegas.

Na terça-feira, 27, o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) declarou que não pretende votar em Alcolumbre e defendeu a união da direita em torno de um candidato próprio. Ele citou Marinho e Tereza Cristina como possíveis opções para a presidência da Casa.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também manifestou resistência à possibilidade de vincular o perdão a Bolsonaro à disputa pela presidência do Senado. “Creio que não temos acordo de trocar vidas por poder. Chega a ser asqueroso”, declarou à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Motta amplia bloco e enfrenta alternativas do PL

Na Câmara, a principal estratégia de Motta é consolidar o apoio de partidos de diferentes campos políticos. O presidente busca reunir o Centrão e a esquerda em torno de sua candidatura, enquanto o PL, dono da maior bancada da Casa, articula alternativas para assumir o comando a partir de fevereiro de 2027.

Entre os nomes citados como possíveis adversários de Motta estão Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, e Doutor Luizinho (PP-RJ). Sóstenes é visto como uma opção alinhada ao bolsonarismo, enquanto Luizinho aparece como uma alternativa ligada ao Centrão e com interlocução com Flávio Bolsonaro.

O PL também considera negociar o apoio a um nome de outro partido em troca do comando do Senado ou de compromissos políticos. A definição dependerá das negociações entre as bancadas e da capacidade de cada grupo de reunir os votos necessários.

Motta, por sua vez, procura ampliar sua base. Na terça-feira, 27, a federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou apoio à sua reeleição, reforçando a estratégia de reunir partidos de diferentes campos políticos. O presidente da Câmara também mantém interlocução com lideranças do Centrão.

A aproximação com o governo Lula, no entanto, aumenta o distanciamento em relação a setores do bolsonarismo. Motta enfrenta desgaste com o PL pela condução da pauta da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Em 2025, o presidente da Câmara não levou adiante a proposta de anistia ampla defendida pela oposição. O Congresso aprovou posteriormente uma alternativa para reduzir penas, mas a legislação foi suspensa em maio de 2026 por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, enquanto a Corte analisa sua constitucionalidade.

A condução da pauta alimentou a insatisfação de parlamentares bolsonaristas, que também criticam a aproximação de Motta com o governo federal. O apoio do PT à reeleição do deputado indica que sua estratégia passa por reunir uma maioria ampla, mesmo que isso implique manter distância do PL.

Direita cobra compromissos

As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão previstas para fevereiro de 2027. Até lá, os atuais presidentes terão de conciliar interesses de partidos de centro, governo e oposição para garantir os votos necessários.

No Senado, Alcolumbre enfrenta o desafio de convencer uma direita que ampliou sua representação parlamentar de que pode atender às suas principais reivindicações. A eventual negociação sobre Bolsonaro e a defesa do nome de Pacheco para o STF fazem parte das articulações, mas não asseguram apoio à sua reeleição.

Na Câmara, Motta aposta no respaldo do Centrão e da federação governista, enquanto o PL avalia se lança Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) ou negocia uma candidatura alternativa.

A declaração de Marcon evidencia que o apoio da direita não está garantido apenas por compromissos em discussão. Para parte da oposição, a disputa envolve não só a distribuição de cargos e a composição das Mesas Diretoras, mas também a expectativa de que os presidentes do Congresso atendam a pautas como a anistia e o impeachment de ministros do Supremo.

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