Oruam é flagrado em vídeo com chefe do Comando Vermelho
Polícia do Rio aponta ligação direta do artista com Doca, alvo principal da Operação Contenção
A Polícia Civil do Rio divulgou imagens que mostram o rapper Oruam em chamada de vídeo com Edgar Alves Andrade, o Doca, principal líder do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
O registro foi obtido em julho pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes e integra um relatório de inteligência.
Segundo a investigação, Oruam aparece na gravação ao lado de Doca e de dois chefes do Terceiro Comando Puro, identificados como Cocão e Coelhão. Os três são acusados de coordenar ataques a comunidades usando drones com explosivos. A polícia afirma que o vídeo comprova o envolvimento direto do cantor com atividades ligadas ao tráfico.
De acordo com o relatório, Oruam atuava como mediador entre as duas facções rivais. O documento classifica a atuação dele como “de altíssimo valor estratégico”, por revelar um canal de comunicação inédito entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro.
O artista foi indiciado em julho por sete crimes, entre eles associação para o tráfico e dano ao patrimônio público. A polícia informou que ele tentou impedir o cumprimento de um mandado de busca contra um adolescente ligado a Doca e transmitiu a ação ao vivo nas redes sociais.
Após o confronto, Oruam fugiu para o Complexo da Penha e publicou vídeo dizendo: “Tem mais de 20 viaturas na minha casa. Claro que eles vão querer prender nós porque nós é filho de bandido.” Ele é filho de Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, preso em presídio federal.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que “não há mais dúvida de que Oruam é um criminoso faccionado, ligado ao Comando Vermelho”. Segundo Curi, já é a segunda vez que foragidos são encontrados na casa do cantor. Em fevereiro, a polícia apreendeu uma pistola Glock com kit rajada e numeração raspada na residência dele.
Doca, com quem o rapper aparece no vídeo, é investigado por mais de cem homicídios e tem mais de vinte mandados de prisão em aberto. Ele foi o principal alvo da Operação Contenção, que terminou com 121 mortos, e segue foragido. O governo do Rio oferece recompensa de cem mil reais por informações que levem à sua captura.
O deputado Kim Kataguiri comentou o caso e afirmou que “esse marginal não deveria nem ter sido solto”. Ele disse que o episódio reforça a necessidade de aprovar projetos que endurecem punições a facções criminosas e impedem a candidatura de quem apoia o crime.
Apoio do PSOL e da esquerda ao rapper Oruam
A deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, respondeu a uma publicação de Oruam nas redes sociais oferecendo “orientação política”.
A parlamentar disse que o rapper deveria se aproximar de movimentos sociais e escreveu: “Organização popular é fazer revolução com o pé no chão. Se quiser construir junto, tô por aqui. De verdade. Estamos juntos.”
Mesmo integrantes da esquerda e da comunidade LGBT criticaram o gesto, lembrando que Oruam é filho de Marcinho VP, líder do Comando Vermelho. Erika recuou e admitiu ter “errado no tom”.
O PSOL também apresentou o projeto de lei 2709 de 2025, de autoria do deputado Henrique Vieira.
O texto cria um programa contra a censura a manifestações artísticas e cita Oruam e MC Poze do Rodo como exemplos de artistas “alvos de perseguição racial”.
A legenda já havia defendido MC Poze do Rodo em maio, quando ele foi preso por associação ao tráfico.
Deputadas como Talíria Petrone e Erika Hilton classificaram a prisão como “racismo institucional”. Horas depois, documentos oficiais mostraram que Poze declarou vínculo com o Comando Vermelho ao ingressar no sistema prisional.
O vereador Leonel de Esquerda, do PT do Rio, também realizou audiência pública em agosto para criticar a chamada Lei Anti-Oruam, que impede contratações públicas de artistas acusados de apologia ao crime. Ele defendeu que a cultura deve ser instrumento de “reinserção social”.
Na Assembleia Legislativa do Rio, a deputada Dani Monteiro, do PSOL, promoveu audiência pedindo liberdade para Oruam. A tia do rapper participou do evento e declarou: “Rap não é crime, MC não é bandido, e liberdade para Oruam.”
Após a megaoperação que deixou 121 mortos, Oruam criticou a ação policial dizendo que “favela tem família, não é campo de concentração”. Artistas e figuras públicas como Ludmilla, Paulo Vieira e Debora Bloch também condenaram a operação, chamando-a de “chacina”.
A Polícia Civil reforça que o rapper segue indiciado por associação ao tráfico e por intermediar contatos entre líderes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro, papel que os investigadores classificam como essencial para a estratégia das facções no Rio.
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Comentários (2)
Maggie J
01.11.2025 10:43Amanda estava e está certa…
Antonio Carlos
31.10.2025 15:01Exemplo do que é viver no rio com narcoterroristas do cv lulistas