Orlando Tosetto Júnior na Crusoé: É tudo pelas criancinhas
Primeira-dama quer modelo chinês para proteger a democracia brasileira: "Tem toda uma regulamentação. Tem prisão"
Tenho lido e visto por aí a primeira-dama eleita deitando falação acerca da maneira muito eficiente e humanitária com que a China protege sua sereníssima Democracia.
Uma das maneiras que a China tem de proteger os anseios do povo – a outra foi a da Praça da Paz Celestial, paz essa ali dada de graça a um bom número de pessoas em 1989 – é a vigilância incessante sobre as redes sociais.
É justamente essa parte que vem interessando à primeira-dama eleita. Ela acha essa vigilância o maior barato, coisa de primeiro mundo mesmo.
Nas palavras dela mesma: “Tem toda uma regulamentação”.
“Regulamentação”, palavra que faz os olhinhos do Governo faiscarem como se diante de uma costela assada, uma assembleia sindical, um arrebol de liberdade.
E acrescenta a co-mandatária, olhos talvez sonhadores: “Tem prisão”.
Prisão, excelente e humanitário recurso dissuasor, já muito em voga por aqui quando o assunto é Democracia. Tal qual também era entre 1964 e 1984.
E arremata a co-eleita: “Por que é tão difícil a gente falar disso aqui? Não é uma questão de liberdade de expressão”.
De fato, ninguém tem tolhido a liberdade do Governo de se expressar em favor da regulação da expressão dos outros.
Se alguém aliás é livre no Brasil de hoje – mais livre, digo eu; livre como um táxi, diria o Millôr Fernandes – é o pessoal do Governo.
Esses são libérrimos, e não há nada que proíbam uns aos outros quando a coisa é lá entre eles.
De onde vem, então, essa nossa dificuldade de ecoar os anseios caridosos por regulação!, mais regulação!, da primeira-dama sufragada?
(Goethe morreu pedindo luz!, mais luz!, enquanto a presidente regra 3 vive pedindo regulação!, mais regulação!, e alega, como o Pelé alegou no dia do gol mil, que é tudo pelas criancinhas. No quesito intenções, estamos melhor do que…
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