Oposição pede moção de repúdio contra Durigan por chamar Milei de “palhaço”
No requerimento, Marcel Van Hattem afirma que a fala é incompatível com a dignidade do cargo de ministro de Estado
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) apresentou nesta quinta-feira, 30, um requerimento na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara propondo uma moção de repúdio contra o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A iniciativa foi motivada pela declaração em que o ministro se referiu ao presidente da Argentina, Javier Milei, como “o palhaço do presidente da Argentina”, durante entrevista concedida à Rádio Jornal de Pernambuco.
No requerimento, Van Hattem afirma que a fala é incompatível com a dignidade do cargo de ministro de Estado e contraria os princípios que regem as relações internacionais do Brasil. O parlamentar pede que, caso a moção seja aprovada, ela seja encaminhada ao próprio Durigan, ao Ministério das Relações Exteriores, ao presidente Lula, à Embaixada da Argentina no Brasil e à Embaixada do Brasil em Buenos Aires.
Na justificativa, o deputado contextualiza a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina após a visita de Milei ao Brasil, em 25 de julho, quando o presidente argentino participou da convenção nacional do PL e fez críticas ao presidente Lula, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e às decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento também menciona a reação do Itamaraty, que convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires.
Segundo Van Hattem, embora integrantes do governo possam rebater críticas feitas por autoridades estrangeiras, isso não justificaria “o emprego de ofensas pessoais dirigidas ao chefe de Estado de uma nação com a qual o Brasil mantém uma das mais relevantes relações diplomáticas, comerciais e estratégicas da América do Sul”. O parlamentar sustenta que o ministro da Fazenda, por representar o Estado brasileiro em fóruns e negociações internacionais, deveria agir com “sobriedade e responsabilidade”.
O requerimento afirma haver uma contradição na postura do governo federal. De um lado, lembra que o Itamaraty classificou como “extremamente grave e inaceitável” o comportamento de Milei durante sua passagem pelo Brasil. De outro, argumenta que um integrante do próprio governo utilizou linguagem ofensiva contra o presidente argentino, contribuindo para o agravamento da crise diplomática.
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