Oposição deve crescer no Senado, mas impeachment ainda é sonho distante
Renovação pode ampliar bancada de direita, mas ainda não há perspectiva de alcançar os 54 votos necessários para afastar ministro do STF
A oposição trabalha para transformar as eleições de 2026 em uma virada na composição do Senado Federal. A estratégia passa não apenas por ampliar a bancada de direita, mas também por conquistar o comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. O objetivo ganhou força durante a crise entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como pano de fundo a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte.
Um prognóstico divulgado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) na última sexta-feira, 2, aponta que o PL pode saltar de 15 para até 24 senadores na próxima legislatura, um crescimento de nove cadeiras. O União Brasil também pode ampliar sua bancada, de três para até sete parlamentares. O levantamento considera pesquisas eleitorais, histórico dos candidatos e desempenho dos partidos nos estados.
O crescimento do PL pode fazer da legenda a principal força individual do Senado a partir de 2027. O PT, por sua vez, aparece com potencial para chegar a dez senadores, dentro de uma faixa que varia de seis a 11 cadeiras. Já PSD e MDB tendem a perder espaço: o primeiro pode cair de 14 para seis senadores, enquanto o segundo pode passar de nove para sete.
A renovação também deve ser significativa. Das 54 cadeiras em disputa neste ano, 32 senadores tentam a reeleição. O DIAP estima que entre 22 e 44 cadeiras podem mudar de ocupante, o que representaria uma renovação de até 54,32% do Senado.
Damares mira um novo Senado
A mudança na composição já era tratada pela oposição como uma oportunidade antes mesmo da eleição. Em 15 de setembro, durante a expectativa pelo julgamento no STF que poderia alterar os rumos da situação envolvendo Alexandre de Moraes, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a oposição não pretendia apoiar a permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado.
“A oposição já pensa novo nome e a gente já está pensando em candidatas. Teresa Cristina, grande nome, grande nome. Mas isso tudo a gente vai sentar, a gente vai conversar porque há uma inquietação hoje como atual presidente, tá? Há uma inquietação. Então, nós vamos esperar a nova composição”, disse.
Damares citou a renovação provocada pela eleição de dois senadores por estado e afirmou que o resultado poderá produzir uma Casa diferente da atual.
“Mas a nova composição, eu quero lembrar os senhores o seguinte, 2/3 estão indo à reeleição, certo? Mas nós temos senadores que desistiram de ir à reeleição. (…) Então, muitos não vão à reeleição. Então, essa casa ela vai ser muito renovada. Nós teremos um número enorme de parlamentares novos e aí eu creio que esse número enorme de parlamentares novos vão querer uma nova casa, um novo Senado”, afirmou.
A senadora também apontou Tereza Cristina (PP-MS) como um dos nomes cotados para a disputa. A ex-ministra da Agricultura já aparece nas articulações para a sucessão de Alcolumbre ao lado de Rogério Marinho (PL-RN).
Presidência virou peça-chave
A disputa pelo comando do Senado ganhou importância porque o presidente da Casa exerce papel central na tramitação dos pedidos de impeachment de ministros do STF. Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar os integrantes da Corte por crimes de responsabilidade.
A legislação interna também estabelece que uma eventual condenação depende de dois terços dos senadores. Em uma Casa com 81 integrantes, são necessários 54 votos para a perda do cargo.
É justamente nesse ponto que o projeto da oposição encontra seu principal limite. Mesmo com o crescimento projetado para partidos de direita, a composição final dependerá do resultado das disputas ainda abertas em diversos estados. O próprio DIAP aponta indefinições em pelo menos 11 unidades da Federação, capazes de alterar significativamente o equilíbrio entre as bancadas.
A diferença entre ampliar a bancada e alcançar os 54 votos necessários para afastar um ministro é relevante. A eleição pode produzir um Senado com uma composição diferente da atual, mas isso não significa, por si só, que haverá votos suficientes para uma condenação em processo de impeachment.
Pressão sobre Alcolumbre
A resistência à permanência de Alcolumbre também tem sido manifestada publicamente por integrantes da oposição. Em setembro, Damares Alves criticou a condução do Senado durante a crise com o STF e afirmou: “O Senado foi silenciado”.
Dias antes, Tereza Cristina havia cobrado uma atuação mais incisiva da Casa diante dos acontecimentos envolvendo o Supremo. “O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir”, afirmou a senadora. Em outra parte da manifestação, disse: “Nenhuma autoridade está acima da lei”.
A insatisfação também entrou nas articulações partidárias. O PL passou a trabalhar para que seus candidatos ao Senado assumam o compromisso de não apoiar a recondução de Alcolumbre à Presidência da Casa em 2027.
A eleição deste domingo, portanto, terá dois resultados distintos para a oposição. O primeiro será a quantidade de cadeiras conquistadas. O segundo, a capacidade de transformar esse eventual crescimento em força política suficiente para disputar o comando do Senado.
Por enquanto, o prognóstico do DIAP aponta crescimento expressivo de partidos como PL e União Brasil, mas a conta do impeachment continua distante dos 54 votos exigidos pela Constituição.
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