Operação no Rio investiga ligação do CV e PCC com a Al-Qaeda
Operação Hawala mira rede de lavagem de dinheiro do tráfico com possível ligação com a organização terrorista
A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado deflagraram nesta quarta-feira, 15, a Operação Hawala para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado ao menos R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas e mantido ligações sob investigação com a organização terrorista Al-Qaeda.
Segundo os investigadores, o esquema prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ocultava recursos ligados do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas por integrar uma ampla rede de lavagem de dinheiro que operava em benefício de diferentes facções criminosas no Brasil.
Foram presos preventivamente Bárbara Luzia Souza de Carvalho, Reda Zayoun, Yasser Zayoun, Kassem Zayoun, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza Daniel, Samuel Morais da Hora, Ali Alfakih, Lucas Gabriel Vidal e Barbara de Oliveira Rosa.
Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas.
“De acordo com as informações levantadas, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. Esse vínculo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação”, afirmou.
Investigação
As investigações tiveram início após a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) identificar uma loja de departamentos (“multimarcas”) instalada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula do Terceiro Comando Puro (TCP), que comercializava produtos falsificados e recebia eletrônicos roubados.
A partir do rastreamento dos responsáveis pela empresa, a especializada descobriu uma rede de dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados, criadas para ocultar e escoar recursos do tráfico de drogas.
Segundo a polícia, o grupo também utilizava a técnica conhecida como smurfing — realização de depósitos fracionados em espécie — para burlar os mecanismos de controle do sistema financeiro.
Empresários libanesas
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO-RJ), Bárbara Luzia Souza de Carvalho movimentou dezenas de milhões de reais como sócia e administradora de empresas cujo faturamento era absolutamente incompatível com esse volume de recursos.
As investigações também identificaram um núcleo formado pelos empresários libaneses Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun.
“As investigações também identificaram elementos que indicam a atuação de integrantes desse núcleo na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina), área que, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas”, afirmou a Polícia Civil.
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