ONG anticorrupção critica escolha de Lula para a CVM
ONG aponta captura de órgãos financeiros e alerta para risco no combate ao crime organizado após indicação de Otto Lobo
A escolha de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) expõe fragilidades do sistema regulatório brasileiro e compromete a estratégia governamental contra organizações criminosas, segundo avaliação da Transparência Internacional divulgada em 2025.
A entidade fez críticas à autarquia no relatório do Índice de Percepção da Corrupção, que manteve o Brasil na 107ª posição entre 182 países, com 35 pontos numa escala de zero a 100. A pontuação representa a segunda pior marca desde o início da série histórica, em 2012.
O documento identifica sinais preocupantes no órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais. A análise menciona os escândalos envolvendo as empresas Reag e Master como exemplos da vulnerabilidade do setor.
Escolha ruim de Lula
Lobo foi indicado após a renúncia do presidente anterior, num momento de grande repercussão do caso Master. Segundo informações da imprensa citadas pela ONG, a nomeação contou com apoio de Joesley Batista e do senador Davi Alcolumbre, mas enfrentou resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“O sistema financeiro tem se mostrado ainda mais propenso à penetração do crime organizado não apenas pelas novas tecnologias e lacunas de supervisão, mas também por sinais de captura regulatória, em especial na Comissão de Valores Mobiliários”, afirma o relatório.
A Transparência Internacional destaca que a autarquia acumula decisões que contrariam pareceres da equipe técnica. Esses episódios, segundo a organização, aumentam a percepção de que o órgão está suscetível a pressões de grupos influentes.
Risco para política anticrime
A análise política da entidade identifica a derrota de Haddad na disputa pela nomeação como sintoma de seu enfraquecimento dentro do governo. O ministro coordena a principal frente de combate ao crime organizado por meio da inteligência financeira, com fortalecimento da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
“No auge das repercussões do caso Master e após a renúncia do presidente anterior, Lula indicou o presidente interino Otto Lobo para assumir permanentemente a CVM. Lobo, segundo a imprensa, teve sua indicação apoiada por Joesley Batista e Davi Alcolumbre e rejeitada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad”, registra o documento.
A organização alerta que o desfecho da indicação ameaça a coerência necessária para resultados efetivos no mercado de capitais. A leitura predominante, segundo o relatório, é de que o episódio reflete o isolamento político do principal defensor da abordagem baseada em monitoramento financeiro.
O Brasil mantém a mesma pontuação de 2024 no índice internacional.
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