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Odebrecht citou Toffoli em acordo que ele agora esvazia

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 01.02.2024 15:44 comentários
Brasil

Odebrecht citou Toffoli em acordo que ele agora esvazia

Em depoimento, Marcelo Odebrecht afirmou ter se reunido com Toffoli, em pelo menos duas ocasiões, para tratar de assuntos de interesse da companhia

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Odebrecht citou Toffoli em acordo que ele agora esvazia
Reprodução/MPF

O empresário Marcelo Odebrecht, que comandava a Odebrecht, atualmente Novonor, quando as práticas de corrupção vieram à tona com a Lava Jato, citou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no acordo que agora o próprio Toffoli esvazia.

Toffoli, que nesta quinta-feira, 1º, suspendeu os pagamentos do acordo de leniência de 3,8 bilhões de reais da empreiteira, era chamado por Marcelo, em e-mails internos, de “amigo do amigo do meu pai”, em referência à amizade do ministro com Lula, amigo de Emílio Odebrecht, o pai de Marcelo.

Como revelou Crusoé, em setembro de 2020, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato viram em um conjunto de e-mails de Marcelo indícios suficientes para apurar, nas palavras deles, “o possível cometimento de fato penalmente relevante por José Antonio Dias Toffoli, praticado à época em que ocupava o cargo de advogado-geral da União”.

“Intermediar”

Em depoimento, Marcelo Odebrecht afirmou que a empreiteira pagou caro a um escritório de advocacia indicado pelo próprio Toffoli, que na época era advogado-geral da União, para “intermediar” a relação com ele.

O empreiteiro também relatou que era comum o envio de presentes a Toffoli e conta que, em pelo menos duas ocasiões, se reuniu pessoalmente com ele para tratar de assuntos de interesse da companhia.

Com a anuência de Toffoli, a Odebrecht usou sua máquina de lobby no Congresso para ajudar na aprovação do nome do ministro para assumir a cadeira no Supremo, em 2009.

“Na verdade, é o seguinte: o que você cria expectativa de que se você ajudou o cara de alguma maneira, ele reserve você, ele vai te escutar, cria uma boa vontade […] Por isso, eu tô dizendo que existia, sim, essa relação, a gente tentou aproximação. Uma das razões que eu sempre dizia para o Adriano [de Seixas Maia] manter esse contato é porque eu achava que era uma pessoa que tinha um potencial, que seria importante de ter ele como aliado futuro, como a gente tinha no Congresso, como tinha no Senado […] É sempre bom… se você tiver um ministro que foi eleito e que você conhece ele há 20 anos, é mais tranquilo”, disse Marcelo aos procuradores.

Embora Dias Toffoli tenha decidido, em setembro de 2023, anular todas as provas obtidas contra o presidente Lula no acordo de leniência firmado pela Odebrecht e suspender a multa, a companhia manteve todos os benefícios do acordo firmado com o Ministério Público.

Enquanto isso, o ministro do STF utiliza o material apreendido pela Polícia Federal na operação Spoofing, que trata do vazamento de conversas entre integrantes da Lava Jato, para sustentar suas decisões.

Esse material, no entanto, não foi submetido à perícia e à investigação formal e é utilizado a serviço de uma narrativa para reescrever a história.

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Comentários (6)

Joao

2024-02-02 02:29:27

Bostoffoli está mais profícuo que GM - Grande Meritrissimo.


Alexsandro Brito

2024-02-01 19:31:18

Corrupção institucionalizada.


Edmilson Siqueira

2024-02-01 17:25:31

Todos os corruptos do Brasil se uniram numa só causa: transformar a corrupção em modo de governo, aprimorando o que já existia e que os primeiros governo petistas agigantaram. Bolsonaro deixou o Congresso se lambuzar totalmente pensando que conseguiria ser o ditador. E, claro, se lambuzou também. Lula se aproveitou do que o Congresso, sob Bolsonaro, aprimorou. Claro que um STF-STJ cheio de cupinchas não poderia ficar de fora. E Toffoli, o petista que nem juiz de primeira instância conseguiu ser, está lá passar um pano enorme em todos os malfeitos, amasiado com Gilmar. Em vinte anos de desgovernos (2003 a 2023 e contando...), foi nisso que o Brasil se transformou: a pátria da corrupção.


Fabio A Busnardo

2024-02-01 17:09:38

Num país sério isso já seria motivo mais do que suficiente para um impeachment.


Jorge Alberto da Cunha Rodrigues

2024-02-01 17:03:51

Dias Toffoli é um grande aliado dos criminosos. Toffoli também foi citado na delação premiada do Léo Pinheiro (dono da OAS). Esses fatos devem motivar as suas recursivas e absurdas decisões a favor dos corruptos poderosos. Infelizmente não há nenhuma instituição que se digne a investigar os atos nocivos dos ministros do STF que dão extrema proteção aos corruptos.


Marcos Rezende Souza

2024-02-01 16:49:21

Bandidos são bandidos e tem quadrilha para se protegerem.


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