O que Lula pretende fazer na ONU?
O petista será o primeiro chefe de Estado a discursar no debate geral, seguindo a tradição da ONU; Trump falará na sequência
O presidente Lula (PT) usará o discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22, em Nova York, para defender a soberania brasileira e o respeito à autonomia dos países. A fala ocorre em meio às divergências com o governo de Donald Trump e às discussões sobre possível interferência externa nas eleições brasileiras.
Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar no debate geral, seguindo a tradição da ONU. Trump falará na sequência. A expectativa é que o presidente brasileiro evite um confronto direto com o americano e concentre seus recados na defesa do multilateralismo, do direito internacional e da autonomia dos países.
As relações comerciais com os Estados Unidos também devem aparecer. O governo brasileiro negocia com Washington após a imposição de tarifas sobre produtos nacionais. Lula afirmou na segunda-feira, 21, que pretende manter o diálogo enquanto houver possibilidade de acordo e que não pretende adotar medidas de reciprocidade enquanto as negociações continuarem.
A questão eleitoral também deve entrar no discurso. Lula já afirmou que espera que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras e mencionou a existência de indícios de interferência, inclusive por meio de inteligência artificial.
Outro tema esperado é a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança. Lula deve defender mudanças na estrutura do órgão e maior participação de países que hoje têm pouca representação nas decisões internacionais.
Apesar de os dois presidentes estarem em Nova York, não há previsão de uma reunião bilateral entre Lula e Trump. A participação brasileira deve combinar a defesa da soberania nacional com críticas ao unilateralismo e à atual estrutura de governança internacional.
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