“O papel de um bom juiz não é ser estrela”, diz Mendonça
Ministro do STF defende responsabilidade institucional e cobra atuação individual de operadores do Direito durante palestra na OAB-RJ
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou que a atuação no Judiciário deve estar baseada em responsabilidade, discrição e compromisso com o dever, ao participar de evento na sede da OAB-RJ, no Rio de Janeiro, sobre os “desafios da advocacia no século XXI”.
“O papel de um bom juiz não é ser estrela. É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar”, disse.
Antes do início da palestra, o ministro ressaltou que não se enxerga como figura de protagonismo no serviço público. “Não tenho a pretensão de ser salvador de nada. Eu entendo que é um mundo público, ali há muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes”. Segundo ele, o exercício de funções públicas exige atenção constante à confiança social. “Ao final e ao cabo, somos servidores públicos e, como tal, devemos preservar a relação de confiança que a sociedade e o cidadão deposita em nós”, completou.
Ao relatar sua trajetória, o ministro mencionou a expectativa que tinha ainda na Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a formação de quadros técnicos. “Quem sabe, dizia eu ali em 2011, daqui a 10 anos, quando for eleito o presidente da República, qualquer vertente política, ele possa olhar para 20, 30 colegas […] habilitados”. Ele afirmou que sua indicação à chefia da AGU ocorreu após análise técnica. “Eu estava sendo nomeado à AGU por duas razões: pelo currículo e pelos serviços que eu já havia prestado ao país”, declarou, ao citar o processo após as eleições de 2018 e nomeação pelo então presidente Jair Bolsonaro.
O ministro defendeu preparo e iniciativa como condições para o avanço profissional e destacou a importância da convicção ética profissional, seja em qual cargo alguém ocupe. “É preciso acreditar que vale a pena fazer o certo, porque, quando a gente faz o certo, às vezes a gente perde oportunidades”, afirmou. “Mas outras portas se abrem […] caminhos aplainados, e não caminhos tortuosos.”
Ao tratar da atuação como magistrado, resumiu seu principal desafio em “entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos. Eu tenho só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos”, concluiu.
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