“O mundo está vendo o Brasil como uma ditadura”, afirma senador Eduardo Girão
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro critica a “omissão legislativa” do Senado a respeito da possibilidade de impeachment de de ministros do STF
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou nesta segunda-feira, 4, que o Senado Federal é “corresponsável” pela decisão de prisão domiciliar imposta a Bolsonaro.
A medida foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o ex-presidente supostamente descumprir ordens judiciais, incluindo a proibição de uso de redes sociais. O parlamentar associou a ação do ministro ao êxito de recentes manifestações pró-Bolsonaro, que ocorreram no domingo, 3.
A decisão foi motivada pela alegação de que Bolsonaro desobedeceu as restrições, mesmo que por intermédio de outras pessoas (por exemplo, seu filho, o deputado Flávio Bolsonaro). A ordem de Moraes citou ainda uma ligação por videochamada entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-presidente no domingo, durante os atos que pediam anistia a Bolsonaro.
Girão manifestou preocupação com a deliberação. Ele estabeleceu uma relação direta entre a medida imposta e o “sucesso das manifestações populares”. Para o senador, a conjuntura brasileira aponta para um cenário de repressão: “O mundo está vendo o Brasil como uma ditadura, caindo as máscaras todas”.
Críticas à suposta omissão legislativa
Eduardo Girão interpretou a ação de Moraes como uma iniciativa de caráter pessoal, prejudicial ao país e suas instituições. Ele frisou a corresponsabilidade do Senado na situação: “E o pior: o Senado é corresponsável por isso tudo. Tem as digitais do Senado pela omissão dele. E o pedido ontem [domingo] foi muito claro com relação a impeachment do Moraes”.
Para o aliado de Bolsonaro, o Senado tem a obrigação de dar seguimento a processos de impeachment contra ministros do STF. Ele sustentou que a falha em agir descredibiliza a instituição: “Então o Senado tem o dever [de abrir o processo de impeachment], se não não há razão de existir. É uma desmoralização, com tantos pedidos engavetados de impeachment. Ele [Moraes] que é o campeão”, criticou o parlamentar.
O senador ainda aventou a possibilidade de a prisão domiciliar ser uma “cortina de fumaça” diante de informações sobre uma possível denúncia de um ex-assessor do TSE contra Moraes no Parlamento europeu.
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