O copia e cola governista na CPI do Crime Organizado para atacar adversários do PT
Humberto Costa e Soraya Thronicke fizeram pedidos com trechos idênticos para tentar vincular Flávio e Michele Bolsonaro ao Banco Master
Em meio à queda de Lula nas principais pesquisas de intenção de voto, os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) apresentaram, na semana passada, requerimentos de convocação na CPI do Crime Organizado com trechos de justificativa e citações idênticas de olho nas eleições gerais deste ano.
Ao todo, oito requerimentos apresentados pelos parlamentares repetem a mesma introdução. O copia e cola governista aborda possíveis relações entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — pré-candidato à Presidência — e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com o escândalo envolvendo o Banco Master.

Na sexta-feira, 13, Humberto Costa protocolou pedido de convocação de Artur Martins de Figueiredo, sócio da empresa Fraction 024 – empresa que recebeu R$ 5,3 milhões da Prime Aviation, conhecida como Prime You. No documento, o senador afirma que a empresa seria “uma das peças centrais na estrutura de lavagem de dinheiro montada para o esquema de fraudes bilionárias do Banco Master”.
Segundo o requerimento, o objetivo da convocação é esclarecer possíveis movimentações financeiras que poderiam envolver o advogado Willer Tomaz, citado por Costa como “amigo e operador jurídico de Flávio Bolsonaro”.
Na justificativa, o senador escreve:
“É importante esclarecer que essa medida não exorbita os limites do plano de trabalho desta CPI, que estabelece como escopo o ingresso do crime organizado nos mercados aparentemente lícitos, fenômeno conhecido como ‘novos ilegalismos’.”
Essa mesma introdução aparece em outros quatro requerimentos apresentados por Soraya Thronicke. As solicitações tratam da empresa Prime Aviation. A Prime teve como sócio, até setembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos pedidos, a senadora solicita a convocação de Marcos Vinícios da Mata, presidente da companhia, e de três diretores — João Gustavo Haenel Neto, Flavio Daniel Aguetoni e Thatiane Garcia Silva. Os requerimentos mencionam a necessidade de esclarecimentos sobre um voo realizado por Nikolas Ferreira em aeronave utilizada na campanha presidencial de 2022. O PT usou na semana passada esse voo para tentar desgastar a imagem de Nikolas Ferreira.
Em outros dois documentos, os parlamentares repetem não apenas a introdução, mas também citam o mesmo trecho do plano de trabalho da CPI para fundamentar os pedidos de convocação. Nesses casos, Costa e Soraya solicitam que sejam ouvidos a ex-assessora de Michelle Bolsonaro Giselle dos Santos Carneiro e o advogado Willer Tomaz.
Após a introdução idêntica, ambos os requerimentos reproduzem o mesmo trecho do plano de trabalho do colegiado, que menciona o avanço do crime organizado e do PCC – Primeiro Comando da Capital.
“Merecerá atenção especial o acelerado ingresso da criminalidade organizada nos mercados aparentemente lícitos. Esse fenômeno, conhecido como ‘novos ilegalismos’, torna o combate à criminalidade algo muito mais complexo, considerando que a penetração do crime em setores econômicos lícitos envolve diversos atores, como contadores e advogados, bem como a criação de empresas de fachada para efetivar a lavagem de dinheiro. Essa roupagem empresarial que algumas das facções criminosas vêm adotando, notadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC), exigirá novos e mais rigorosos mecanismos de controle, fiscalização e combate”.
A apresentação de requerimentos com trechos iguais não é novidade. Mas ocorre justamente no momento em que a base governista ainda tenta reverter o desgaste com as quebras de sigilo de Luís Fábio Lula da Silva, o Lulinha, na CPMI do INSS.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Annie
16.03.2026 18:07Essa Soraya e uma vergonha
Aldo
16.03.2026 17:46Pura cortina de fumaça, a explicação do deputado Nikolas Ferreira é bem coerente e ocorreu num momento em que nada havia contra o banqueiro ainda. Ele, Vorcaro, era apenas um dos proprietários da empresa que alugou o jatinho. Entre a petralhada a coisa é muito mais séria e explícita.