Nunes provoca Boulos: “Vai ter carteira assinada pela primeira vez”
Prefeito de São Paulo critica novo ministro de Lula e reacende debate sobre experiência profissional e radicalismo político
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), provocou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) ao comentar sua nomeação para o comando da Secretaria-Geral da Presidência da República: “Vai ter uma carteira assinada pela primeira vez, e desejo boa sorte a ele. Só isso”, disse.
Além da provocação, Nunes classificou Boulos como “radical”. “Ter pessoas radicais no governo federal preocupa. A gente precisa de pessoas que dialoguem com todo mundo. O radicalismo é muito ruim”, afirmou o prefeito. Em seguida, ponderou: “É prerrogativa do presidente. Ele deve saber o que está fazendo”.
A fala ocorreu um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar oficialmente a nomeação, publicada no Diário Oficial da União. A pasta era chefiada por Márcio Macêdo desde o início do governo.
A provocação retoma uma crítica recorrente usada contra Boulos em campanhas eleitorais. Durante a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024, Nunes e outros adversários exploraram o tema da experiência profissional do psolista. O empresário Pablo Marçal (PRTB), por exemplo, chegou a exibir uma carteira de trabalho em debates televisivos como forma de provocação.
Apesar da ironia, ministros de Estado não têm vínculo regido pela Consolidação das Leis do Trabalho. Eles são considerados agentes políticos, com direitos e deveres previstos na Constituição Federal.
Antes de ingressar na política, Boulos foi professor de filosofia em escolas estaduais e deu aulas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde lecionou disciplinas sobre movimentos sociais.
A nomeação provocou reação imediata entre políticos de oposição. O Partido Novo divulgou nota afirmando que a decisão “radicaliza o que já era péssimo”. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) chamou Boulos de “péssimo parlamentar”, e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) disse que a escolha confirma o rumo “de extrema esquerda” do governo.
Boulos, até a manhã desta quarta, 22, não havia respondido às críticas. Em mensagem nas redes sociais, agradeceu ao presidente e afirmou que sua principal missão será “levar as realizações do governo à população e ouvir as demandas populares em todos os estados”.
Boulos comandou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) por mais de uma década, experiência que o credenciou politicamente junto à base mais radical.
Nos bastidores, a nomeação é vista como movimento de Lula para reforçar laços com a esquerda e afastar o governo da dependência do Centrão. No PSOL, a escolha é considerada estratégica para reposicionar Boulos após a derrota em 2024 e abrir caminho para uma eventual candidatura ao Senado em 2026.
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